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Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Atualizado: 1 hora 45 minutos atrás

Mensagem do Primaz sobre as recentes decisões da Reunião dos Primazes em Cantuária

seg, 18/01/2016 - 18:06

Santa Maria, 18 de janeiro de 2016

Irmãos e irmãs

Conforme expressei anteriormente, não queria fazer nenhum comunicado sob o calor dos debates que se seguiram à decisão tomada pela maioria dos Primazes com relação a Igreja Episcopal dos Estados Unidos -TEC. Ou seja, uma suspensão temporária por três anos de todas as instâncias decisórias da Comunhão, enraizado de sua decisão a respeito do Canon do Matrimônio.

Cheguei hoje ao Brasil e desejo compartilhar uma palavra pastoral à Igreja sobre o assunto. Este assunto tomou tempo exagerado da reunião e foi muito difícil para todos os Primazes. A posição mais extremada dos Primazes do GAFCON era exigir um pedido de perdão ou a saída da Comunhão da TEC e da Igreja do Canadá.

Este posicionamento gerou uma reação que levou os Primazes mais ao centro e os mais progressistas a buscarem alternativas que causassem uma drástica ruptura na Comunhão, conforme a própria mídia secular antecipava repetidamente antes e durante a reunião. A resolução final foi o que eu chamo de possível em termos de mantermos os Primazes à mesa e com o desejo de continuar conversando sobre o emblemático terreno da sexualidade. Na decisão tomada, não se incluiu a Igreja do Canadá, vez que ainda não há decisão sinodal definitiva sobre a matéria do matrimônio entre pessoas de mesmo sexo.

O impacto dessa decisão com certeza afeta é causa dor não somente na TEC, mas em todas as igrejas que tem atendido ao chamado de Deus em acolher todas as pessoas em suas necessidades pastorais. Conforme o Bispo Michael Curry destacou, a TEC está atendendo um desejo pastoral que não é apenas uma questão cultural, mas uma resposta concreta as pessoas que amam a Deus, servem a Ele e desejam ardentemente seguir a Jesus.

Nossa IEAB tem feito, assim como outras províncias da Comunhão, tem feito o seu caminho de inclusão da comunidade LBGT e dependendo de decisões que se tome nestes dois ou três  anos, poderemos viver situações semelhantes a que a TEC vive hoje.

Não há dúvidas de que a Comunhão vive e aprofunda sua divisão. A questão que se coloca é como vamos conviver com esta divisão. Talvez o caminho mais fácil seja evitar o custo de conviver com a diferença. Não é a primeira vez que a TEC vive esta experiência. Mas manteve-se firme no propósito de ser parte e contribuir com a Comunhão. Ela não está sozinha e estamos juntas no caminho da missão.

Uma coisa porém precisa ser destacada. A mídia secular e religiosa parece não ter observado o comunicado final do Encontro dos Primazes, onde se afirma a condenação das igrejas que se omitem (por fragilidade testemunhal) a assumir corajosamente a condenação de atitudes e  legislações que insistem em propagar a homofobia e a criminalização das pessoas LGBT.

Igualmente os Primazes assumiram claramente o compromisso com os Objetivos de desenvolvimento Sustentável, com a causa dos Refugiados, com a causa das pessoas vítimas de tráfico humano e com a defesa das vítimas de violência sexual. E lamento que não tenhamos gasto mais tempo discutindo o que a meu ver é realmente relevante para nosso testemunho como Igreja de Cristo.

Isso sem falar do clima de oração que vivemos intensamente durante o Encontro, com a participação nos ofícios diários, na eucaristia, nos momentos de silêncio e jejum que vivemos na cripta da Catedral e na veneração de símbolos como os Evangelhos de Santo Agostinho e do báculo de São Gregório, o papa que enviou Agostinho para evangelizar as Ilhas Britânicas. Pela primeira vez em quase 1500 anos estas duas relíquias estiveram juntas num mesmo lugar!

Precisamos ter a coragem de reconhecer que nossa Comunhão continua dividida. A decisão dos Primazes precisa passar pelo crivo do Conselho Consultivo Anglicano porque este é o único dos instrumentos que tem legitimidade de decidir sobre questões de membresia dentro da Comunhão.

Estarei convocando uma reunião da Câmara dos Bispos para discutir a matéria e construirmos uma mensagem de solidariedade à TEC e oferecermos à Comunhão nossa palavra.

Que Deus nos capacite a ouvir o seu chamado de fazer Jesus ser conhecido e amado por todas as pessoas, independentemente de qual seja a sua condição pessoal. Que a ortodoxia (alegada por alguns) não se torne um empecilho para o avanço do Reino de Deus!

Do Vosso Primaz

++ Francisco

85 milhões de pessoas, 165 nações, 38 províncias, 1 Senhor: Jesus Cristo!

qua, 06/01/2016 - 18:05

por Vagner Ernani Mendes Junior

colaboração de Paulo Ueti

Em setembro de 2015, o Bispo Primaz, foi convidado pelo próprio Arcebispo de Canterbury para o “Primates Meeting 2016” que ocorrerá do dia 11 ao 16 deste mês. Na ocasião, Dom Francisco com muita alegria, confirmou presença e a representação da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – IEAB que é a 19ª Província da Comunhão Anglicana, o que reitera que somente esta em todo o território nacional é que possui vínculos históricos, sacramentais e teológicos com as igrejas da família da Comunhão Anglicana.

Dom Francisco de Assis é o Primaz da IEAB

Ás vésperas do evento, com muitos apontamentos feitos pela mídia internacional e também por veículos de comunicação de orientação anglicana, algumas impressões dos Primazes e demais  Bispos/as estão sendo ampliadas pela internet. No Brasil, Dom Francisco pediu aos membros da igreja para que orassem pelo acontecimento através de sua rede social: “Estou me preparando para a viagem a Cantuária. Encontro dos Bispos Primazes da Comunhão Anglicana começa dia 11 de Janeiro. Oremos por este encontro para que os Primazes possam vivenciar a plena comunhão como pastores do rebanho de Deus sob seus cuidados. Oremos para evitar manipulação de grupos interessados na divisão da Igreja de Cristo. Oremos para que as diferenças sejam tratadas com respeito, honestidade e paciência. Oremos para que seja construída coletivamente uma palavra à toda a Comunhão reafirmando o compromisso profético com a justiça!”.

A Comunhão Anglicana

Nesse mesmo sentido, o Arcebispo Justin Welby também veio a público para pedir por orações e ressaltar a importância do encontro. A dimensão eclesial que será vivida possui a moderação de um diálogo na intenção da construção do futuro da Comunhão Anglicana. Os 37 Primazes juntamente com o Arcebispo discutirão por uma pauta densa que já está sendo debatida por décadas na Comunhão, desde questões sociais até mesmo a sexualidade.

Hoje (06/1), o Escritório da Comunhão divulgou o site oficial do “Primates Meeting 2016”, que será gerido no decorrer das pautas.  O Secretário Geral da Comunhão Anglicana, Reverendíssimo Josiah Idowu-Fearon, convida todas/os a orar diariamente pelos Bispos e Arcebispos que se reunirão em Cantuária de 11 a 16 de Janeiro, a litania é sugerida para uso geral.

Segue abaixo uma proposta de litania para ser usada por todos os fiéis e clérigos da IEAB, sobretudo na celebração eucarística deste domingo, ofícios comunitários e grupos de oração enquanto estiver ocorrendo o encontro – você pode obtê-la em pdf >>>> LITANIA_DIÁRIA_ENCONTRO_DE_PRIMAZES2016

“Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vocês, fazendo sempre com alegria a oração por vós em todas as minhas súplicas, pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora”. (Fl 1:3-5)

Como uma comunhão, Deus nos dá sua graça diária e oportunidades para colocá-la em ação. Nós temos muito para louvar e agradecer ao Senhor no caminho para o encontro dos Primazes em Janeiro.

É nosso sincero pedido que irmãos e irmãs através do mundo que nos ama e nos deseja todo o bem, se juntem a nós nessa Litania diária, além da oração que foi publicada em Outubro.

Orações para o encontro dos Primazes em 2016:

  1. Agradecimento geral e louvor
  • Pelo privilégio de compartilhar com o mundo as boas novas do Seu amor para todas as pessoas, sem discriminação de raça, cor, gênero e status social.

Nós te louvamos, Ó Senhor.

  • Pelas oportunidades de compartilhar o amor de Cristo alimentando as pessoas famintas, vestindo e oferecendo abrigo para as pessoas vítimas da guerra.

Nós te louvamos, Ó Senhor.

  • Pela oportunidade de viver nossa fé num ambiente hostil, de provar a força do nosso amor pelo Senhor e pelas outras pessoas através das relações que estabelecemos com quem tem posições diferentes da minha na teologia e eclesiologia.

Nós te louvamos, Ó Senhor.

  • Pelos esforços contínuos de trabalhar nossa relação como Comunhão e encontrando caminhos melhores de viver como Sua família reconciliada.

Nós te louvamos, Ó Senhor.

  • Pelas respostas positivas dos Primazes e Arcebispos para o encontro dos Primazes em Janeiro.

Nós te louvamos, Ó Senhor.


2. Pela Verdade

  • Da manipulação dos meios de comunicação, desinformação e abuso de privilégios,

Bom Deus livrai-nos.

  • Da distorção de fatos e do desejo de calar outras vozes que me desagradam,

Bom Deus livrai-nos.

  • Da distorção da verdade que é usada para fazer as opiniões das outras pessoas parecerem erradas,

Bom Deus livrai-nos.

3. Os participantes do encontro

  • Da arrogância e do espírito de falsidade,

Bom Deus livrai-nos.

  • Do sentimento e ações provocadas pela raiva, atenção somente ao próprio ego e do desejo de impor nossas opiniões a todo custo, do espírito de divisão e ânsia de poder que oprime mais do que de unidade,

Bom Deus livrai-nos.

  • Do espirito e ações que rebaixam as outras pessoas ao invés de ouví-las,

Bom Deus livrai-nos.

  • Do espirito que desvaloriza as pessoas, despreza suas convicções e não as deixa seguir por causa de Cristo,

Bom Deus livrai-nos.

  • Que cada uma de nós possa encontrar Cristo e ser positivamente transformadas,

ouve-nos Senhor.

  • Que este encontro dos Primazes possa abrir um capítulo novo e positivo no desenrolar da historia da nossa Comunhão,

ouve-nos Senhor.

  • Que cada Primaz/Arcebispo possa abraçar uma visão a partir de Sua santa perspectiva,

ouve-nos Senhor.

  • Que este encontro possa trazer glória e honra para o Seu nome, uma fraternidade nova, melhor e mais forte entre todas as pessoas que participam,

ouve-nos Senhor.

  • Que esta Comunhão possa contar suas próprias histórias livres dos relatórios cínicos e tendenciosos,

ouve-nos Senhor.

Deus, esta é uma parte da Sua Igreja Militante.

Tu nos chamaste depois de nos redimir através da morte sacrificial de seu Filho, ressurreição triunfante e gloriosa ascensão.

Ajuda-nos como Comunhão a ouvir com clareza o que Tu dizes nestes tempos, nos dê neste encontro o Seu Espírito que nos liderará para que testemunhemos sua honra e glória, paz e melhor entendimento para Sua Igreja, crescimento e desenvolvimento de cada parte da Comunhão.

Pedimos em nome de Cristo.

Amém.

MENSAGEM DO PRIMAZ SOBRE O ANO NOVO

ter, 29/12/2015 - 19:55

Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares. Josué 1:9

Irmãos e irmãs,

Paz seja com vocês!

O Senhor coloca à nossa frente mais um ano novo para continuarmos a fazer a história que Ele espera que façamos. Estamos vivendo tempos de enormes desafios – que sempre existiram diante de nós – mas que na atual conjuntura exige que tenhamos motivação redobrada. Nosso país precisa trilhar um caminho de ajustes que vão além das dificuldades econômicas que exigirão disciplina e seriedade governamental no seu enfrentamento.

A crise política precisa dar lugar a uma democracia forte em que os interesses do povo brasileiro sejam colocados acima de quaisquer outros interesses eleitorais. A crise ética de gestão da coisa pública precisa dar lugar à transparência e ao cumprimento estrito da lei. O povo brasileiro precisa retomar o controle social das instituições que o representam. A era de privilégios deve dar lugar à justiça afirmativa, voltada para o bem comum de todas as pessoas cidadãs.

Como Igreja, devemos assumir a nossa responsabilidade de viver a nossa fé dentro e fora de nossos templos. Para dentro, devemos aperfeiçoar os nossos instrumentos de evangelização, de anuncio da Boa Nova de Jesus Cristo. Alimentar com substância teológica e pastoral o nosso povo. Fortalecer e afirmar o testemunho de nossos jovens. Garantir o protagonismo das mulheres. Ampliar a consciência de nossa responsabilidade social e política. Orar e agir, sempre impelidos pelo amor e pelo compromisso com a verdade. Tornarmo-nos críticos diante das propostas aventureiras (religiosas ou políticas) que tentam capturar a consciência de nosso povo.

Não podemos aceitar discursos e práticas que lesem os direitos de nossa gente mais pobre. Por ser um ano de eleições municipais, devemos nos preparar para rechaçar discursos eleitoreiros de quem não está seriamente capacitado a defender os interesses da sociedade brasileira.

Nossa diaconia deve ser ampliada com qualificação de nossos quadros. Corajosamente vamos estudar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e descobrir nossa potencialidade de assumirmos o compromisso da transformação da qualidade de vida de nossa sociedade.

Teremos um Sínodo Extraordinário que vai oferecer à Igreja uma Constituição e Cânones que nos tornem mais efetivos na vida e comunhão entre nós mesmos e nas nossas relações ecumênicas e sociais. A Câmara dos Bispos está desafiada a cumprir o seu papel de liderança pastoral em espirito de unidade e compromisso com o nosso rebanho. O Conselho Executivo é chamado a conduzir administrativamente a Igreja dentro dos princípios que nos distinguam efetivamente como uma Igreja que serve. Cada clérig@ é desafiado a testemunhar e orientar os fiéis sob sua liderança com fundamento na herança dos apóstolos a apóstolas de Jesus.

Precisamos experimentar uma vida de estudo e oração, sem as quais podemos correr o risco de apenas “tocar mais um  ano pra frente”. Que Deus derrame sobre a IEAB os dons do Espírito, fazendo-nos humildes servos uns dos outros e de nossa sociedade brasileira. Que Ele nos dê a paciência para nos manter firmes no caminho de Jesus. Um abençoado 2016 para nossa Igreja e nos ajude a construir uma Igreja corajosa, evangelizadora e amorosa, a começar por nós mesmos!

Do vosso Primaz,

++ Francisco

Boas festas!

ter, 15/12/2015 - 12:54

EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DA JUSTIÇA SOCIAL E CONTRA O IMPEACHMENT DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEF

qui, 10/12/2015 - 10:30

“O fruto da justiça será paz; o resultado da justiça será tranquilidade e confiança para sempre”. Isaías 32:17

Nós, Bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, vemos com preocupação a crise política que tem se instaurado no país envolvendo a busca do impeachment da Presidente Dilma Rousseff, baseada nas chamadas “pedaladas fiscais” praticadas, da mesma forma, por todos os governos anteriores. Como pano de fundo deste movimento, é colocada a crise econômica, que não é apenas recorrente no Brasil, mas também presente em países da União Europeia, nos EUA, e em outros países tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento sendo, portanto, uma crise do sistema capitalista que domina a economia mundial.

Vemos com alegria que nunca, desde a redemocratização do Brasil, houve tão intenso combate a corrupção, inclusive com prisão de dirigentes de grandes empresas e detentores de cargos públicos. Sabemos que há muito mais a ser revelado neste processo de transparência, que a cada dia se faz mais necessário acabar com o financiamento das campanhas por pessoa jurídicas que claramente institucionaliza a cultura da troca de favores tão nocivos ao interesse da sociedade. O processo de aperfeiçoamento da democracia exige a correção de outras tantas falhas no sistema político e econômico do Brasil e que tem facilitado a corrupção e a manipulação da “coisa pública” em favor de benefícios privados (como mostra a tragédia de Mariana em Minas Gerais).

Preocupa, desta forma, que o processo de impeachment, seja defendido por pessoas, partidos políticos, e agentes políticos que defendem abertamente um projeto neo-liberal que foram eleitoralmente  derrotados na eleição do ano passado. Muitos deles também envolvidos em processos de corrupção que já foram ou começam a ser denunciados, e conhecidos defensores de setores empresariais que historicamente tem se beneficiado com o uso do dinheiro público. Vemos que por trás da derrocada de um governo democraticamente eleito, há indicativos de frear o combate a corrupção, devolver privilégios a empresas privadas, e acabar com políticas públicas que (mesmo não sendo perfeitas em sua condução atual) tem ajudado a diminuir índices históricos de miséria extrema, aumentado a escolaridade, e garantido o acesso de milhões de pessoas a melhores condições de vida.

Assim, assumimos, sem receio algum, à Luz do Evangelho do Senhor Jesus Cristo, a agenda de todos os movimentos, organizações e partidos políticos que colocam o bem maior da nação brasileira acima de interesses mesquinhos, atitudes excludentes e manobras golpistas. É de fundamental importância a garantia dos direitos sociais conquistados e o respeito à ordem democrática!

Dom Francisco de Assis da Silva, Bispo Primaz e Diocesano da Sul Ocidental

Dom Naudal Gomes, Bispo da Diocese Anglicana de Curitiba

Dom Filadelfo Oliveira, Bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

Dom Mauricio Andrade, Bispo da Diocese Anglicana de Brasilia

Dom Saulo Barros, Bispo da Diocese Anglicana da Amazônia

Dom Renato Raatz, Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas

Dom Flavio Irala, Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo

Dom Humberto Maiztegui, Bispo da Diocese Meridional

Dom João Peixoto, Bispo da Diocese Anglicana do Recife

Dom Clovis Rodrigues, Emérito

Dom Almir dos Santos, Emérito

Dom Celso Franco, Emérito

Dom Jubal Neves, Emérito

Dom Orlando Santos de Oliveira, Emérito

Dom Sebastião Gameleira, Emérito

Edital Público: Contratação de Assessor/a de Projetos do SADD

qui, 26/11/2015 - 09:11

EDITAL DE SELEÇÃO (Nº. 01/2015)

PROCESSO SELETIVO DE CONTRATAÇÃO DE PESSOAL

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, através da Secretaria Geral, torna pública a realização do processo seletivo para a contratação de Assessor/a de Projetos para atuar no planejamento, monitoramento e avaliação de projetos no Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento – SADD.

I – DO LANÇAMENTO DO EDITAL DE SELEÇÃO (Nº. 01/2015) Tendo em vista a seleção de profissional para a função de Assessor/a de Projetos para compor a Equipe da Secretaria Geral,  o Edital para Contratação, em Processo Seletivo Simplificado de pessoal para a seguinte vaga.

II – DA VAGA: Assessor/a de Projetos Sociais – 1 vaga

III – DAS ATRIBUIÇÕES DA FUNÇÃO

  • Acompanhar as atividades dos projetos apoiados pelo SADD, via visitas de campo e leitura de materiais.
  • Acompanhar a execução das atividades dos projetos apoiado.
  • Divulgar os resultados alcançados pelos projetos nos canais de comunicação do SADD e da IEAB.
  • Elaborar os relatórios periódicos tanto narrativos como financeiros.

IV – REQUISITO EXIGIDOS PARA A FUNÇÃO

  1. Ter experiência comprovada  de no mínimo 5 anos em planejamento, monitoramento e avaliação de projetos sociais.
  2. Ter domínio de conceitos, instrumentais e ferramentas de planejamento estratégico e medição de impacto.
  3. Domínio da linguagem escrita,  boa expressão oral e manejo das mídias sociais.
  4. Ser fluente nas línguas portuguesa e inglesa.
  5. Ter participado de gestão de projetos sociais.
  6. Compreender a dinâmica de funcionamento das ONGs, empreendimentos solidários, fóruns e redes de organizações dos movimentos sociais e baseados na fé.
  7. Ter experiência voltada para a educação popular e mobilização.
  8. Ter capacidade de trabalho em equipe.
  9. Orientação a resultados e compromisso com metas e acordos.

10.  Disponibilidade para viagens e fixar moradia em São Paulo.

V – FORMAÇÃO EXIGIDA:  Curso superior completo na área de Humanas

VI – CRITÉRIOS DE SELEÇÃO:

  • Avaliação de Currículo
  • Avaliação da Carta de Intenção e Cartas de Apresentação
  • Entrevista

VII – CONDIÇÕES SALARIAIS E DE TRABALHO

  • Salário compatível com a função descrita nesse edital no valor de  R$ 1.800,00.
  • Contratação  por prazo determinado.
  • Regime de trabalho: 35 horas semanais.
  • Estará sob a responsabilidade da Secretaria Geral da IEAB e se reportará à Coordenação do SADD.

VIII – DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA

· Currículo, 02 (duas) cartas de apresentação, sendo uma de trabalho anterior e 01 (uma) Carta de Intenções, explicitando a motivação para assumir o cargo.

IX – SELEÇÃO O processo seletivo constará das seguintes etapas:

· Análise de currículo e Carta de intenção

· Entrevista para os/as candidatos/as pré-selecionados/as.

X – PRAZOS – Publicação do Edital no sítio da IEAB/SADD dia 25 de novembro de 2015.  Recepção dos documentos exigidos a ser enviados via correio eletrônico (acavalcante@ieab.org.br) até o dia 23 de dezembro de 2015 às 17h, horário de Brasília, com o título ASSESSOR de PROJETOS. A carta de intenções, deverá no máximo conter 2 (duas) páginas, papel A4, espaço 1,5, times new roman, fonte 12, margens esquerda, direita, superior e inferior 2,5 cm. A divulgação do resultado da pré-seleção e convocatória para entrevista será realizada a partir de 15 de janeiro de  2016. A entrevista será realizada na cidade de São Paulo de 26 a 29 de janeiro de 2016. A admissão será a partir de 01 de março de 2016.

· Obs.: Currículos recebidos após o dia e hora estipulados serão desconsiderados.

São Paulo, 25 de novembro de 2015.

Reverendo Arthur Cavalcante

Secretário Geral da IEAB

Encontro de Fé e Território teve a presença da Aliança Anglicana

ter, 17/11/2015 - 15:48

Comunidades locais da América Latina, que enfrentam grande ameaças para garantir suas terras comuns dos interesses de poderosas corporações  privadas, continuam fazendo teologia em defesa da sua luta e da sua vida. As lideranças religiosas querem ser “cumpridoras da Palavra, não somente ouvintes da mesma”.

Essa foi uma das fortes mensagens enviadas do encontro de Fé e Território que aconteceu em São Paulo no final de setembro de 2015. Foi o quarto encontro dessa natureza: “Nós chamamos a atenção para a necessidade de  recuperar a teologia e espiritualidade vindas do Primeiro e Segundo Testamento judeu-cristão onde Deus está comprometido, por amor, com os mais vulnerareis pela justiça, onde a terra é considerada um dom, uma herança que não pode ser concentrada, destruída ou mercantilizada”, disseram as participantes na carta final. “A partir dessa profunda convicção, verdadeira teologia é baseada no amor e solidariedade com as pessoas e o planeta em situação de vulnerabilidade”, elas disseram.

Sob o lema “A força da fé em movimento de defesa dos territórios”, as participantes exploraram a conexão entre prática religiosa e espiritualidade, e a importante preocupação em defender os territórios onde se vive – a oikoumene ou a casa comum. Particularmente, as participantes trabalharam como a fé é vivida onde o território é considerado um objeto para um tipo de desenvolvimento que está unicamente preocupado com lucro e privilegiar uma minoria, ao custo de degradar a humanidade e a natureza.

O objetivo do encontro foi considerar outros paradigmas teológicos e práxicos para dar suporte ás lutas por sustentabilidade, resiliência e eco justiça. O facilitador regional para América Latina e Caribe da Aliança Anglicana, Paulo Ueti, foi um dos participantes do encontro. “Comunidades locais – sejam indígenas, afrodescendentes, quilombolas ou camponesas e urbanas – enfrentam o poder monstruoso dos megaprojetos, corporações transnacionais”, ele disse em resposta ao testemunho de representante de comunidades locais que compartilharam suas lutas para salvaguardar a integridade de nossa casa comum, enfrentando o poder das companhias de petróleo e mineração, monocultivo e militarização. “Práticas e crenças tradicionais tem sido perdidas, sufocadas, criminalizadas, as vezes intencionalmente descuidas através dos atos passados de conquista, colonização e genocídio físico e epistemológico”, ele disse. “Isto continua ainda hoje com a invasão das indústrias, onde o agronegócio, companhias mineradoras e projetos de mega infraestrutura afetam a natureza e as comunidades mais vulneráveis. Teólogas/os vindas/os da IEAB, da Rede Cristã Internacional Oscar Romero em Solidariedade com os Povos da América Latina (SICSAL), da Comissão Pastoral da Terra (ICAR), do CONIC-Conselho Nacional de Igrejas do Brasil, e da ONG Povo Índio do Equador foram convidadas/os para colaborar e levar adiante a reflexão sobre as conexões entre as lutas atuais pela eco justiça e as expressões passadas e presentes de fé e espiritualidades.“Nós acolhemos esse jeito de fazer teologia enraizado nos territórios e na vida cotidiana e incentivamos que isso aconteça em outras partes da Comunhão Anglicana”, disse Rev. Andy Bowerman, codiretor da Aliança Anglicana.

“Nós estamos muito encorajados para ver os resultados desse encontro. Nós nos asseguraremos que esses esforços e vozes sejam ouvidas em toda a Comunhão neste tempo em que construímos um “momentum” e uma peregrinação em direção a COP21, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, em Paris em Dezembro desse ano”, acrescentou Rev. Bowerman.

A Aliança Anglicana está comprometida não só de ser um canal para as vozes silenciadas historicamente, mas também para ecoar e aumentar o volume das vozes marginalizadas para que sejam ouvidas nos centros de poder e influência.

Um Indesculpável Crime contra as Gerações Presentes e Futuras

ter, 17/11/2015 - 10:45

O rompimento das Barragens do Fundão e Santarém, da mineradora Samarco, empresa  controlada pela Vale do Rio Doce e pela anglo-australiana BHP, aconteceu no dia 5 de novembro provocando uma avalanche de lama misturada com resíduos tóxicos causando 24 mortes, mais de 600 pessoas deslocadas e principalmente a destruição ambiental de toda a região da cidade de Mariana e de todo o distrito de Bento Rodrigues.  Os atingidos foram as comunidades ribeirinhas, camponesas, trabalhadores da mesma mineradora, famílias sem muito sustento. A tragédia adquiriu dimensões que vão além do estado de Minas Gerais, atingindo também diversas cidades do estado de Espirito Santo.

A indústria da mineração, no geral, é uma das atividades humanas que mais afeta a vida na Terra pelos seus impactos destrutivos nos ecossistemas, e é de enorme contribuição para o aquecimento global através das emissões de gases efeito estufa, quando não contempla estratégias de redução de riscos e mecanismos de desenvolvimento sustentável.

Igualmente, pelo seu enorme potencial de lucro e de dividendos, que somados à corrupção, é uma das atividades industriais que menos sofrem regulações de governos locais, regionais e federais os quais deveriam interferir  para controlar a excessiva exploração do solo e impedi-la diante evidencias de catástrofe iminente, sempre priorizando o direito de proteção humana e ambiental como também o direito das gerações futuras, uma vez que, os danos causados em Mariana e Bento Rodrigues perdurarão pelas próximas duas gerações.

Uma tragédia como não se trata de um mero acidente, mas sim é resultado de uma sucessão de erros não contemplados com a devida relevância os quais levam ao desastre que dificilmente é causado somente por um fator. Esse conjunto de equívocos passa necessariamente pelo descaso no controle governamental, como também, pelo crime de priorizar o lucro em detrimento da segurança humana e ambiental.

Entendemos que foi um crime o fato de não se tomar as devidas precauções como também em não planejar mecanismos emergenciais para prever o rompimento e, no caso extremo, de avisar à população com antecedência para minorar  os efeitos da avalanche de lama. Não basta somente com indenizar as famílias. É necessário descentralizar o poder das empresas nas decisões sobre os bens naturais, uma vez que eles não são infinitos e não são renováveis sem a devida sustentabilidade. No entanto, as proprietárias da mineradora Samarco não assumem as responsabilidades o que torna mais enfático o comportamento criminoso em não fornecer um mecanismo claro e efetivo na  reparação de danos pós evento.

Tragédias como esta desperta sentimentos de compaixão e solidariedade mas também de indignação, impotência, raiva e dor. Qualquer um pode ser afetado no futuro.  Por isso é necessário denunciar esse modelo predatório amparado na economia de mercado que favorece os lucros em detrimento da vida!

Assim, convoco a Igreja a ORAR:

Ø  Para que sejam tomadas as devidas precauções e prontas ações tanto dos  governos quanto das mineradoras responsáveis a fim de evitar que a terceira barragem de Germano venha se romper e aumentar assim os danos às populações.

Ø  Para que as pessoas afetadas sejam ressarcidas e que lhe sejam oferecidas moradia, trabalho e infraestrutura dignas para reconstruir seus projetos.

Ø   Para que a ambição humana pelo enriquecimento cesse e não seja colocado o interesse pelo lucro acima da vida  e assim evitar outros desastres causados pelo descaso e corrupção.

Ø  Para que as pessoas danificadas tenham direito a um atendimento humano e sejam supridas de alimentos, roupas e provisões básicas de qualidade.

Ø  Para que o fornecimento de água seja garantido a todas populações nas cidades que têm sido afetadas pela avalanche de lama que está poluindo os rios e as nascentes .

Ø Para que os governos implementem estratégias direcionadas a evitar doenças, epidemias e contaminação toxica derivada da avalanche de lama.

Ø  Para que nos tornemos mais conscientes das necessidades do nosso próximo, que neste caso, são os nossos irmãos de Mariana e do Distrito de Bento Rodrigues em Minas Gerais, como também dos diversos povoados e cidades do Espirito Santo.

Dom Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

IEAB receberá o Primaz do Canadá em visita oficial

ter, 17/11/2015 - 09:56
Nossa Província receberá uma visita muito especial nos próximos dias. Entre 20 e 27 de novembro estaremos recebendo a visita do Arcebispo da Igreja Anglicana do Canadá ++Fred Hiltz.

A visita ocorrerá em duas dioceses de nossa Província: Amazônia e Brasília. Será a primeira visita do Primaz ++Fred ao Brasil. Ele virá acompanhado do seu Secretário, Revd. Paul Feheley.

O objetivo da visita é fortalecer as relações sempre sólidas que tem existido entre a IEAB e a Igreja Anglicana do Canadá. Existem muitas semelhanças no jeito de fazer missão e no compromisso com a incidência pública e ação diaconal.

Algumas dioceses canadenses mantiveram companheirismo formal com dioceses brasileiras e mais recentemente, a Diocese de Huron estabeleceu companheirismo com a Diocese da Amazônia.

Dentro da Comunhão Anglicana, a Igreja Canadense tem um importante papel de liderança e em termos teológicos e litúrgicos, tem contribuído no âmbito da missão, do serviço e do ecumenismo.

O Primaz ++Fred foi eleito em 2007, em Sínodo Provincial. Antes havia sido bispo sufragâneo e depois diocesano da diocese de Nova Scotia e Príncipe Eduardo entre 1995 e 2007. Formado em Biologia e com Mestrado em Divindade, pela Universidade Atlântica de Teologia.  É casado com Lynne Samways-Hiltz e o casal tem um filho, Nathan.

No ano passado, nosso Primaz, em visita ao Canadá, convidou o Arcebispo Fred para visitar nossa Província como gesto de acolhimento e agradecimento pela generosa interação entre as duas Igrejas.


O Canadá têm sido um dos países que, historicamente, tem um papel de acolhimento de estrangeiros e, igualmente, acolheu durante o período da ditadura muitos exilados e perseguidos políticos do Brasil e da América Latina.

Sua agenda em Belém e em Brasília incluirá celebrações eucarísticas - inclusive no Dia de Ação de Graças em Brasília – reuniões com clero e lideranças das dioceses visitadas, encontros ecumênicos e, claro, um pouco de lazer para mergulhar na cultura e nas belezas do Brasil.

Seja bem vindo Arcebispo Fred! A IEAB o acolhe com alegria!

Dom Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Diocesano em Santa Maria

Nota de Falecimento – Dom Hiroshi Ito

dom, 15/11/2015 - 18:59

“Em Espírito, em verdade Te adoramos, Te adoramos, Senhor!”.

Neste domingo (15), informo o falecimento de Dom Hiroshi Ito, Bispo Emérito da Diocese Anglicana de São Paulo – DASP. Havia sido eleito bispo diocesano no Concílio Extraordinário ocorrido em 06 de Abril de 2002, na cidade de São Paulo.

Natural da cidade de Nara no Japão, foi ordenado ao diaconato em 1967 e ao presbiterado em 1968, tendo sido bacharel em teologia e filosofia. Fundador e primeiro reitor da Paróquia da Santa Cruz.

Foi instalado Bispo Diocesano da DASP em 28 de Julho de 2002, na data de sua sagração. Fatos marcantes de seu ministério sempre foram relacionados ao ecumenismo, diálogo inter-religioso, inclusividade, educação teológica e pastoral. Era casado com a Sra. Sumiko, tendo deixado esposa, três filhas e quatro netos.

A cerimônia religiosa será realizada por Dom Flávio Irala, Bispo Diocesano de São Paulo, amanhã ás 10h00 e o sepultamento será 11h00 no Cemitério da Paz na região do Morumbi.

Confira mais informações com a Secretaria da DASP:

(11) 5579-9011

(11) 5549-9086

Que descanse plenamente na glória celestial, os votos de pesar e conforto para toda a família e amigos,

++Dom Francisco

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – IEAB

Primaz da IEAB na instalação do novo Bispo Presidente da TEC

qua, 11/11/2015 - 16:58

Dom Francisco esteve na cerimônia de posse de Dom Michael Curry, que havia sido eleito na 78ª Convenção Geral da The Episcopal Church ainda neste ano

Por Vagner Ernani Mendes Junior



No dia 01 deste mês, em viagem oficial aos Estados Unidos, o Bispo Primaz do Brasil, Dom Francisco de Assis da Silva, participou da solene celebração de instalação do Bispo Michael Curry na Catedral Nacional de Washington, com muita alegria, o acontecimento demonstra a amizade entre as duas províncias. Também visitou a Bispa Sufragânea da Diocese de Virgínia, Susan Elly Goff e as lideranças da Paróquia St. Stephen que apoia os trabalhos das missionárias integrantes do GT Missão, Monica Vega e Heidi Schmidit em território brasileiro.

Na diocese de Virgínia


Também houve um momento especial: a Vigília da União dos Negros Episcopais.


Na celebração, onde 2.500 pessoas estiveram presentes, o Primaz esteve com outros primazes e arcebispos do mundo todo. Conforme o relato de Dom Francisco, o sermão do Bispo Curry foi um momento marcante: “Ele destacou que a Igreja necessita viver autenticamente o amor ao próximo, e que a ação pastoral da Igreja só tem relevância concreta se inverter os valores presentes no mundo de hoje. Para tal, destacou ele, não podemos ter medo, mas sermos felizes na missão”.


Bispo Michael Curry Recebe a cruz primacial da Bispa Katherine como 27º Bispo Presidente


Antes de retornar para casa, ainda houve um encontro no Seminário Teológico de Virgínia, com o Reitor Deão Ian Markham e com o staff do Centro de Estudos Anglicanos.

Com o Reitor Deão Ian Markham


Com a Bispa Christine Hardman, segunda mulher que irá assumir um lugar na  Câmara dos Lordes na The Church of England


Sobre a agenda da The Washington National Cathedral.

Assista a Celebração de Instalação na íntegra.

Confira as fotos do evento.



Parcerias pela afirmação de direitos

qua, 21/10/2015 - 09:31

“…Quem vai evitar que os ventos batam portas mal fechadas revirem terras mal socadas e espalhem nossos lamentos…”

Pablo Milanés e Chico Buarque.

O curso sobre Sujeitos, Territórios de Paz com Justiça Socio-ambiental que aconteceu em Bogotá, Colômbia, nos dias 04 a 10 de outubro, foi fruto de uma parceria entre Christian Aid e a Comissão Intereclesial de Justiça e Paz, contou com a presença do SADD e da organização haitiana MISSEH e teve por intuito fomentar o diálogo entre as instâncias envolvidas em torno do enfrentamento a violência de gênero.

As atividades de formação tiveram como temas principais, territorialidade, meio ambiente, gênero e identidades, participação e afirmação de direitos. Entre os dias 7 e 8 foram abordados os impactos sócio-políticos da exploração de recursos naturais nas 38 comunidades que compõem a COMPAZ, rede alternativa de fortalecimento das lideranças comunitárias no processo de reparação em meio as negociações de paz. Foram abordadas estratégias de participação política e defesa dos direitos humanos, visando fortalecer esses líderes, homens e mulheres, enquanto sujeitos políticos de promoção de uma cultura de paz.

A temática de gênero e identidades foi retomada nos dias 9 e 10, tendo como foco mulheres, território e organizações comunitárias. As mulheres nos diversos territórios colombianos têm assumido papeis centrais nas organizações comunitárias, pois além de estarem envolvidas em atividades produtivas, são protagonistas nas lutas por garantia de direitos. Nesse sentido, a discussão do papel das mulheres em uma perspectiva de gênero foi feita a partir do fortalecimento delas enquanto líderes comunitárias e geradoras de renda em um modelo de economia solidária. Discutiu-se ainda identidades de gênero em uma perspectiva, na qual a representação de homens e mulheres está associada à sua relação com o território.

No período de formação, as atividades diárias foram iniciadas por um modelo de mística que nos remete às práticas, valores e símbolos desenvolvidos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Brasil. A cada manhã, os grupos envolvidos (indígenas, afrodescendentes, liga camponesa, movimentos urbanos e rurais) apresentavam uma mística que nos remetia a suas práticas culturais e de fé, para isso, foram utilizados elementos e signos de suas matrizes religiosas, sociais e políticas.

O encerramento se deu no sábado, dia 10, com a apresentação do professor Stephen Haymes. Em sua proposta, o professor centrou-se na descolonização de nossas formas de saberes e práticas culturais como forma de desconstrução das desigualdades de gênero, sociais e do racismo. A ideia foi questionar o modelo dominante, e construir um conjunto renovado de relações entre homens e mulheres, com o meio ambiente, território e estruturas de poder.

Para concluir, visitamos uma área de preservação ameaçada em Bogotá. O “Humedal de la Conejera” é uma importante reserva de água para os rios da região, além de ser um ponto de migração de aves, que está ameaçada pela expansão imobiliária no local. A visita foi realizada a convite da ativista Ângela Sofia que além de dar visibilidade as causas ambientais em espaço urbano, reforça o papel das mulheres enquanto lideranças comunitárias urbanas e rurais.

[1]- Ilcélia Soares, Bárbara Virgenes, Elineide Oliveira

Bispo Primaz às mulheres: “São vocês que fazem a Igreja!”.

ter, 20/10/2015 - 10:55

por Vagner Ernani Mendes Junior, correspondente da Secretaria Geral

Foto de Vera Machado



Dos dias 09 a 12 deste mês, foi realizado no Centro de Formação Sagrada Família em São Paulo, o encontro de nível nacional da União de Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil (UMEAB). Na celebração eucarística de encerramento do evento, estiveram presentes Dom Flávio Irala, Bispo Diocesano de São Paulo, Dom Filadelfo de Oliveira, Bispo Diocesano do Rio de Janeiro, Rev. Arthur Cavalcante, Secretário Geral da IEAB com a  presidência de Dom Francisco de Assis da Silva, Bispo Primaz da IEAB.

Bênção de envio missionário

Também estiveram presentes clérigas do país todo além das visitantes de Portugal, Angola, e Moçambique juntamente do clero local. Na homilia feita pelo Primaz, um momento de reflexão e ação de graças por todo o trabalho do engajamento das mulheres na ação evangelizadora da igreja, pelo serviço prestado às comunidades episcopais anglicanas espalhadas pelo Brasil, e pelo dom do sacerdócio feminino na IEAB que completou em 2015, 30 anos.

Em tom de agradecimento disse: “São vocês que fazem a Igreja, são vocês que trabalham (…) fazem o trabalho que muitas vezes ninguém quer fazer!”. Mencionou também a necessidade do testemunho cristão na sociedade para com os menos favorecidos e que a intenção do encontro é fazer com que retornassem para casa na intenção de ampliar cada vez mais a acolhida fraterna para todos e todas.

Logo após a celebração, houve uma confraternização entre os presentes para troca de experiências e despedidas do evento, mas sempre na certeza de que a caminhada das mulheres na IEAB sempre se perpetuará.

Saiba mais aqui e aqui.

Veja a homilia do Bispo Primaz na íntegra aqui.



ENCONTRO NACIONAL DA UMEAB

qui, 15/10/2015 - 18:46

DECLARAÇÃO

Nós da União das Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil, juntamente com as mulheres representantes do Uruguai, Moçambique, Angola e Portugal, reunidas nos dias 9 a 12 de outubro de 2015, no Encontro Nacional da UMEAB, no Centro de Formação Sagrada Família, São Paulo, SP, animadas pela temática “Vem soltar sua voz” e inspiradas por reflexões sobre o contexto social, político, cultural, econômico e religioso das mulheres no Brasil, das questões de gênero, sexismo e violências contra as mulheres, motivadas pelos dados coletados a partir das fichas de inscrição e desafiadas pelas rodas de conversa e partilhas de experiências e testemunhos das próprias mulheres pontamos as seguintes temáticas como fundamentais para a construção de uma igreja de fato inclusiva e que contemple maiores avanços nas questões de igualdade gênero:

  1. Uma maior conscientização das mulheres a respeito do seu protagonismo em espaços decisórios na estrutura da Igreja de forma que seja cumprida a meta proposta pelo Conselho Consultivo Anglicano de junho de 2005, que recomenda a participação feminina de 50% em todos os níveis decisórios (cargos e comissões paroquiais, diocesanos e provinciais);
  2. Envolvimento das mulheres como agente de transformação da sociedade atuando junto a instituições e projetos que buscam garantia de direitos e políticas públicas para pessoas em situação de vulnerabilidades, priorizando as historicamente excluídas;
  3. Desconstrução da visão a respeito dos papéis social e culturalmente atribuídos a homens e mulheres, especialmente em nossas comunidades locais.

Desse modo, a fim de que tais questões sejam aprofundadas e colaborem para a construção da igreja que sonhamos, propomos as seguintes ações:

  • Que haja mobilização, em todas as instâncias, no sentido de informar e conscientizar as pessoas acerca do direito e capacidade das mulheres à eleição em todos os níveis decisórios: cargos e comissões paroquiais, diocesanos e provinciais;
  • Que a Diretoria Nacional da UMEAB motive as Diretorias Diocesanas a trabalhar em conjunto com o SADD a temática, gênero, sexualidades e direitos e que os espaços físicos de nossas comunidades sejam disponibilizados à serviço de grupos sociais e/ou ecumênicos que buscam a garantia de direitos as pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade;
  • Que seja realizado em conjunto com CEA um programa de estudos bíblicos e oficinas que resgatem os papéis e liderança das mulheres nas comunidades locais tendo como base as reflexões da Teologia Feminista.

Reafirmamos nossos compromissos com os ideais do Reino de justiça e paz, com todos os movimentos que buscam a construção de uma vida digna para todas as pessoas e nosso amor e dedicação a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.

São Paulo, 12 de outubro de 2015.

Mulheres participantes do encontro.

CARTA ABERTA EM DEFESA DOS POVOS INDÍGENAS

qui, 15/10/2015 - 16:39

“A morte pela terra, é a morte pela vida” (Damiana, liderança do Tekoha Apika´i).

Nós, mulheres reunidas no Encontro Nacional da União de Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil/UMEAB, de 9 a 12 de outubro de 2015, no bairro do Ipiranga em São Paulo, iluminadas pela profecia de Isaías “Não haverá mais crianças que vivam poucos dias nem pessoas idosas que não alcancem muitos anos” (65.20) e pelo desejo de Deus de vida plena e abundante para todas as criaturas e sua criação, juntamos nossas vozes e forças, sentimos, nos preocupamos e nos indignamos profeticamente com os povos indígenas, em especial com os guarani kaiowá da região do Mato Grosso do Sul.

Denunciamos porque, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário/CIMI, nos últimos 12 anos, ao menos 585 indígenas cometeram suicídio e 390 foram assassinados, a violência instalada e sustentada pelo agronegócio de norte ao sul do país, em especial no Mato Grosso do Sul, demonstra que se trata de uma política de genocídio regada pelo sangue indígena.

Alertamos e nos indignamos com a falta de ação do poder público em todos os âmbitos (municipal, estadual e federal) em coibir a ganância desses grupos poderosos que violam os direitos dos povos tradicionais atacando de forma violenta a cultura dos indígenas, suas terras, sua dignidade e suas vidas.

Nós mulheres “queremos ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5.24), por isso, reafirmamos nosso apoio à campanha lançada pela Missão ecumênica por ocasião do ato realizado na Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul sob o slogan: “a carne e a soja do MS tem sangue de crianças indígenas”! E recomendamos que sejam implementadas urgentemente:

  • a CPI do Genocídio;
  • a demarcação das terras indígenas;
  • a garantia de direitos: terra, território, identidade, cultura e língua;

Acreditamos ser inaceitável a omissão da igreja diante dessa situação, e proclamamos profeticamente em defesa da Vida, da Justiça, da Paz e da Integridade da criação.

São Paulo, 12 de outubro de 2015.

Participantes do Encontro Nacional da

União de Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil

Diálogos de reparações: construção coletiva

sex, 09/10/2015 - 10:41

“Nossas vidas começam a morrer no dia em que calamos coisas que são verdadeiramente importantes.”

Martin Luther King Jr.

A Comissão de Justiça e Paz, organização colombiana que atua desde 1990 na formação em direitos humanos de lideranças comunitárias de territórios urbanos e rurais, em parceria com a Christian Aid, Mundubat e a Cooperação Basca, desenvolve o curso de formação “Sujeitos Territoriais de Paz com Justiça Socio-ambiental”. O projeto será realizado em três etapas, entre os anos de 2015 e 2016. A primeira fase está em curso na cidade de Bogotá (4 a 10 de outubro), e reúne 80 estudantes indígenas, afrodescendentes e populações oriundas de áreas de vulnerabilidade urbanas e rurais. As demais etapas serão desenvolvidas no período indicado anteriormente.

A Christian Aid possibilita o diálogo com seus parceiros da América e Latina e Caribe numa perspectiva de gênero e identidades. Com este intuito, a IEAB foi convidada através do seu Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD), juntamente com a organização MISSEH do Haiti a participar do curso promovido pela Comissão de Justiça e Paz da Colômbia. Duas representantes brasileiras foram convidadas, a saber: a psicóloga Prof. Ilcelia Soares (Membro da Comissão Nacional de Diaconia/CND) e a Reverenda Elineide Ferreira (Coordenadora da Casa Noeli dos Santos/Ariquimes/RO). O propósito deste diálogo é promover ações afirmativas por uma cultura de paz baseada na formação em direitos humanos.

Nos dias 4 e 5 foram realizadas atividades de acolhida e formação política e teórica no campo de território e ambiente. A aula inaugural contou com a presença de acadêmicos da área, embaixadas, e sociedade civil organizada. Os palestrantes – Yohana López, Oscar Guardiola e Steeven Haymes – abordaram a construção de paz e mediação de conflitos a partir de três perspectivas sócio-teóricas complementares: comunidades solidárias, justiça transicional de reparação, e educação como ferramenta de direitos, justiça e paz.

No terceiro dia, a temática principal do curso foi gênero e identidades. Pela manhã, Maria Tila Uribe, senhora de 85 anos, demostrou em sua fala o papel de luta social e resistência das mulheres na construção sócio-política colombiana. Ela enfatiza que em vários momentos históricos a presença das mulheres foi omitida, como por exemplo nos movimentos operários   em que as trabalhadoras e ativistas foram tratadas como invisíveis, negando sua participação nestes processos.

A participação do SADD se deu na parte da tarde, quando suas representantes apresentaram os trabalhos sobre gênero, violências e identidades, desenvolvidos em parceria com a Christian Aid. Inicialmente, foi apresentado a estrutura operacional e objetivos do SADD em seu diálogo com as comunidades de fé e sociedade civil, a serviço da diaconia social da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. A Cartilha de Prevenção e Enfrentamento à Violência de Gênero foi socializada com os participantes do curso de formação, como referência metodológica e um instrumento de trabalho na prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.

Em seguida, a palestra da Professora Ilcelia Soares abordou o tema “Gênero e Violências: diálogos por Direitos e Justiça”, como uma reflexão sobre a diversidade que compreende a discussão de gênero, a partir da desconstrução de papéis sociais de homens e mulheres, repensando também a masculinidade. Nesse sentido, foram apresentados dados estatísticos que ainda apontam homens como autores de violência, em uma relação de abuso de poder frente às mulheres. Enfatizando que as diferentes modalidades de violência que as mulheres vivenciam são problemas de saúde, políticas públicas e violação de direitos humanos.

Em um outro momento, Reverenda Elineide Oliveira apresentou o trabalho realizado pela Casa Noeli do Santos. Além da estrutura de acolhimento às mulheres, destacou-se o impacto social que a casa imprime na vida das mulheres e dos seus filhos e filhas, por sua atuação na prevenção, enfrentamento e atendimento daquelas que vivem em situação de violência doméstica e de gênero na cidade de Ariquemes. A única Casa de acolhimento a compor a rede de enfrentamento a violências é vinculada a Igreja, e é apoiada pelo SADD em parceria com a Christian Aid. Por seu protagonismo na articulação desta Rede, ela assegura a aplicação das políticas públicas de proteção, como cumprimento das determinações trazidas pela Lei Maria da Penha.

Os representantes Christian Aid Haiti e seu parceiro MISSEH enriqueceram o evento apresentando o trabalho que vêm desenvolvendo no país em defesa aos direitos humanos e no enfrentamento a violência contra as mulheres. Ambos fazem um trabalho amplo que visa superar os problemas sociais, agravados pela crise humanitária causada pela instabilidade política e dos desastres naturais que atingiram o país na última década. Além dos trabalhos de sensibilização sobre questões de gênero desenvolvidos junto às matrizes religiosas, a MISSEH desenvolve ações de geração de renda para promover a autonomia das mulheres como mecanismo de enfrentamento a violência de gênero.

Este curso tem sido uma grande experiência tanto pelo intercâmbio com todos os parceiros que viabilizaram essa cátedra, quanto por dialogarmos com jovens ( meninos e meninas) , mulheres e homens  vindos de diferentes áreas de Colômbia afetadas por diversas formas de  violências.  A presença de organismos religiosos, é também a constatação de que é possível estabelecer relações dialógicas.

Matéria Enviada:  Ilcélia Soares, Bárbara Virgenes, Elineide Oliveira

Adeus Dom Edmund Sherrill

sex, 02/10/2015 - 13:28

NOTA DE FALECIMENTO Dom Edmund Knox Sherrill

“Deixa a glória de Deus brilhar… Foi lá no Monte Sinai, que nosso Deus com Moisés falava quando Ele desceu do Monte. Não sabia que seu rosto brilhava. Brilhava, brilhava, o seu rosto brilhava. Foi lá no Monte Sinai que o nosso Deus com Moisés falava.”

Dom Edmund Knox Sherrill ao centro: Homenagem do Sínodo Geral novembro de 2013

Nesta manhã do dia 02 de outubro de 2015, faleceu aos 90 anos de idade, na cidade do Rio de Janeiro, o Bispo Dom Edmund Knox Sherrill, Bispo Emérito da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) durante os anos de 1959-1985. Ele deixou sua esposa Dona Elizabeth, seus filhos Elizabeth, Florence e Henry e netos e netas. Dom Edmund Sherrill foi o último dos bispos americanos que trabalhou como missionário na Igreja do Brasil. Igualmente foi filho de Henry Knox Sherrill, ex Bispo Presidente da The Episcopal Church, entre os anos de 1947 a 1958.

Nosso Bispo Primaz Dom Francisco de Assis da Silva, em nome da IEAB, expressou gratidão pela vida de Dom Sherrill nos serviços prestados como pastor na missão na Igreja do Brasil. Igualmente convocou toda a Igreja para orar por sua vida e também por toda a família enlutada.

Assim que possível, a Secretária Geral informará sobre o local e horário sobre o serviço religioso e também do sepultamento do Bispo Sherrill. Qualquer mensagem poderá ser enviada diretamente para o endereço eletrônico do Secretário Geral: acavalcante@ieab.org.br  .

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: uma plataforma que desafia a Igreja a agir!

ter, 29/09/2015 - 17:41
“O  Senhor te confirmará para si como povo santo, como te tem jurado, quando guardares os mandamentos do Senhor teu Deus, e andares nos seus caminhos”.

Deuteronômio 28,9

Há exatos quinze anos, a ONU aprovou um programa de desenvolvimento humano baseado no que se chamou de Objetivos do Milênio. Foi um ambicioso programa que se buscou aplicar através de todas as nações do mundo e destinado a superar o estado de pobreza em países que  exibiam vergonhosos índices de exclusão no campo da saúde, da educação, da distribuição de renda, de desigualdade de gênero, entre outros pontos essenciais que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

O ambicioso programa apresentou alguns resultados animadores em algumas nações do mundo,  mas ainda não alcançou os níveis desejados, embora há de se reconhecer que muita coisa melhorou. As crises econômicas que se sucederam foram desafiadoras e a crescente tensão militar pós 11 de setembro de 2001, foram a causa de enorme desperdício de gastos militares – algumas centenas de bilhões de dólares – que deslocaram as prioridades de governos para uma maior atenção para programas afirmativos no campo social.

A recente Conferência das Nações Unidas aprovou unanimemente um novo programa de desenvolvimento sustentável, com uma metodologia mais aberta à sociedade e menos dependente de governos que quer superar até 2030 os índices de desigualdade no mundo. São os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS.

De acordo com os objetivos e metas dos ODS, são previstas ações mundiais nas áreas de erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, redução das desigualdades, energia, água e saneamento, padrões sustentáveis de produção e de consumo, mudança do clima, cidades sustentáveis, proteção e uso sustentável dos oceanos e dos ecossistemas terrestres, crescimento econômico inclusivo, infraestrutura, industrialização, entre outros. É uma agenda ousada porque à primeira vista são muitos e que precisam mobilizar uma soma muito alta de recursos e ainda precisam disputar contexto de conflitos e de crises econômicas sazonais.

Do ponto de vista da Igreja, somos chamados a contribuir efetivamente com este projeto que diz respeito ao nosso jeito de viver a nossa missão. As marcas da missão anglicana nos obrigam a oferecer nossa contribuição teológica e prática aos parceiros governamentais, sociais e aqueles que caminham conosco ecumenicamente e em diálogo – independentemente de sua fé – para alcançarmos os ODS a partir de nossas realidades locais até nos níveis da Comunhão Anglicana como um todo. Cremos num Deus de Justiça e de Amor. Nosso Deus não se alegra com a injustiça e nem com um sistema que gera desigualdade entre seres irmãos. Nosso Deus também não se alegra com o uso egoísta e irresponsável do meio ambiente, que causa sérios danos à vida do planeta através do uso egoísta e acumulativo de riquezas que desconsideram a vida dos menos favorecidos e vulneráveis de nosso mundo.

Evangelizar é, essencialmente, levar a Boa Nova ao Mundo. Conclamo a IEAB, através de todas as suas instâncias a estudar, compartilhar – desde as comunidades locais até às instancias provinciais – a plataforma dos ODS. A apropriação da plataforma nos apontará a descobrir os caminhos pelos quais nosso povo e suas lideranças pastorais podem interagir para transformar nossas comunidades em agentes de transformação. Conclamo a Comissão de Incidência Pública e a Comissão Nacional de Diaconia – como instâncias de reflexão da incidência da Igreja – a estudar com profundidade a plataforma e ajudar a Igreja como um todo a preparar ações concretas na defesa de uma sociedade brasileira democraticamente forte, socialmente justa e ambientalmente correta. Para tanto, temos muitos parceiros e parceiras que estão dispostas a seguir este caminho de testemunho e graça para com nosso povo.

Veja sobre o assunto aqui

Deus nos inspire a servi-lo com amor e coragem!

++ Francisco

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil