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Conteúdo sindicalizado
Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Atualizado: 57 minutos 23 segundos atrás

Um Sínodo Provincial com as marcas da serenidade e da Comunhão

ter, 21/06/2016 - 09:46

Oh quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em comunhão Sl 133:1

A IEAB viveu nestes últimos dias uma experiência inesquecível. Um longo processo de consulta no nível provincial e diocesano foi apresentada ao Sínodo Extraordinário, oportunizando a aprovação de uma nova Constituição e novos Cânones da Igreja. Estamos agradecidos a Deus pelo clima saudável, maduro e altamente respeitoso que vivemos nestes dias com uma verdadeira comunidade de discípulos e discípulas de Jesus Cristo.

A Igreja está juridicamente reconfigurada e as novas normas afirmam com clareza ainda maior o nosso ethos anglicano! Normas e procedimentos administrativos, pastorais, relativas ao ministério leigo, diaconal, presbiteral e episcopal contemplam agora princípios de maior transparência e publicidade. Uma atualização necessária após 22 anos da última reforma canônica.

Uma Igreja equipado para responder as necessidades de novos tempos. Uma questão que exigiu redobrada atenção foi a discussão sobre o Canon do Matrimônio Cristão. Um tema que sido crucial e que tem exigido da Igreja muita reflexão da Câmara  Episcopal, da Câmara do Clero e do Laicato, bem como de toda a Igreja. A proposta de se adotar a neutralidade de gênero, embora contemplado na Liturgia oficial da Igreja, não foi definida porque a Igreja não alcançou o consenso necessário para aprovação! A maturidade do plenário sinodal indicou que se precisa aprofundar ainda mais o diálogo sobre este tema. Cada grupo que se colocou na defesa tanto da mudança como da manutenção não logrou alcançar os votos necessários para adotar a neutralidade de gênero. Seguindo a recomendação do Sinodo Ordinário de 2013, a IEAB seguirá tratando a matéria com seriedade e profundo senso de respeito. O Sinodo de 2017 deverá considerar novamente a matéria.

Um importante passo dado no plano do testemunho eclesial da Igreja foi dado com a regulamentação do Canon que trata da Diaconia. O projeto de serviço e incidência pública de nossa Província tem agora uma estrutura e papéis, bem como instâncias que promoverão o crescimento das ações em favor das pessoas excluídas da sociedade e afirma a dimensão do serviço como parte essencial de nossa missão.

A vivência litúrgica, o empenho de todas as equipes de trabalho, das comissões de Liturgia, Constituição e Cânones, Secretaria Geral, Câmara dos Bispos e da delegação  Clerical e  Leiga expressaram com clareza que estamos vivendo um tempo de maturidade na forma como nos entendemos como família Provincial. Como Primaz da Igreja, dou graças a Deus por isto.

Mesmo em meio a diferentes pontos de vista e mobilização de causas, saímos deste Sínodo fortalecidos e comprometidos a permanecemos unidos em torno da mesa eucarística. Estamos conscientes de nossa interdependência como membros do mesmo corpo, da mesma família de Cristo. Estamos motivados a aprender ainda mais o caminho do serviço, do amor e da justiça.

Que Deus continue abençoando a nossa Província e que sempre estejamos preparados para oferecer as razões da nossa fé!

Do vosso Primaz,

++ Francisco

Sínodo da IEAB Emite Moção de Repúdio

sab, 18/06/2016 - 20:30

Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – Vargem Grande Paulista SP – 16 a 19 de Junho de 2016

O Sínodo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, conclama as autoridades públicas competentes, bem como a sociedade civil em geral, a unirem-se em repúdio ao brutal assassinato do líder indígena Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, ocorrido na região de Caarapó-MS.

Nossa Igreja conclama todas as pessoas à defesa das comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul e, em especial, ao povo Guarani Kaiowa, que têm sido vítimas de reiteradas ameaças e de etnocídio orquestrado e perpetrado por mílicias a serviço do agronegócio na região.

Nos solidarizamos com as famílias que perderam entes queridos brutalmente assassinados, e demandamos das autoridades regionais e nacionais, medidas imediatas para a defesa da vida e das garantias constitucionais que vêm sendo reiteradamente violadas. Que Deus, Pai de todas as pessoas, tenha misericórdia e proteja os inocentes dessa barbárie.

Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás?  Habacuque 1.2

Início das Sessões da Reforma dos Cânones Gerais

sab, 18/06/2016 - 12:19

Desde da tarde do dia 17, após a aprovação da Nova Constituição pela plenária do Sínodo, iniciou-se os trabalhos das delegações diocesanas e distrital para a reforma dos artigos dos Cânones Gerais da IEAB.

As sessões foram presididas pelo Bispo Primaz Dom Francisco de Assis da Silva. Hoje pela manhã (18) a 9a. Sessão Sinodal foi presidida pelo Presidente da Câmara Clerical e Laica, Sr. Fernando Hallberg Luiz.

Aprovada a Nova Constituição da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

sex, 17/06/2016 - 21:20

Na tarde do dia 17 de junho, no Centro Mariápolis em Vargem Grande Paulista/SP, foi aprovada a nova Constituição da IEAB. Estiveram presentes de 49 delegados (as), dentre Bispos, Clérigos (as) e Leigos (as), das 9 Dioceses e Distrito Missionário de todo o país.

Dentre os pontos aprovados esteve a adequação dos Estatutos da Igreja conforme o Código Civil vigente no país, igualmente  uma ampla reforma para atender aos novos desafios pastorais, missionários e administrativos.  A linguagem utilizada procurou contemplar questões de gênero.

Alguns destaques da Reforma:

- A sede e foro da IEAB passou formalmente para a cidade de São Paulo/SP;

- A Catedral da Santíssima Trindade, na cidade de Porto Alegre, é a Catedral Nacional da IEAB;

- Mudanças das chamadas “Dioceses Missionárias” para Dioceses.

SÍNODO EXTRAORDINÁRIO: MENSAGEM DA CÂMARA DOS BISPOS DA IEAB

sex, 17/06/2016 - 20:53

Ao Colendo Sínodo Extraordinário da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, 1 Pedro 3:15

Irmãos e Irmãs,

Estamos vivenciando um particular momento de nossa história como Província. Desde o último Sínodo Ordinário, realizado em novembro de 2013, a IEAB tem construído caminhos de consolidação de sua postura teológica e pastoral. Vivenciamos as celebrações de 125 anos de nossa caminhada como parte da Comunhão Anglicana, celebrando também nossa cinquentenária emancipação e 30 anos de ordenação feminina. O árduo trabalho da Comissão de Liturgia, na esteira das comissões passadas, presenteou toda a Igreja com uma nova proposta de Liturgia que muito nos honra a celebrar a fé em linguagem, teologia e pastoral adequadas ao tempo e às necessidades de nossa Igreja.

No campo teológico acumulamos alcances importantes na reflexão e incidência pública, através de nossas comissões de Diaconia, Incidência Pública e temos visto sinais novos de renovação da nossa Juventude. No processo de ampliar o nosso testemunho de se tornar uma Igreja acolhedora, temos construído uma reflexão sobre violência de gênero e inclusão de todas as pessoas, conforme mandato do Evangelho. A nossa voz como Igreja tem chamado a atenção da Comunhão Anglicana e nos tem transformado em uma comunidade que, mesmo pequena, fala com autoridade e recebe o respeito das instancias de nossa Comunhão.

Desafia-nos, no entanto, nesse caminho, a difícil conjuntura política de nossa Nação. Nossa sociedade se sente atônita pelos sinais visíveis de grave deterioração da estabilidade democrática, com desdobramentos no campo dos direitos o que exige testemunho inarredável e firme e no qual continuamos a buscar construir uma sociedade justa, democrática e ambientalmente sustentável. Para isso, nos somamos aos segmentos sociais que clamam por reformas políticas e sociais que garantam um país para todas as pessoas.

E aqui estamos reunidos para deliberar, com toda a maturidade possível, sobre nossa configuração constitucional e canônica, num processo que se estende por quase uma década. A Comissão Nacional de Cânones nos apresenta, após um árduo trabalho compartilhado com outras instâncias da Igreja, uma proposta que será escrutinada, discutida e aprovada, dando-nos assim maior capacidade de interagir com o contexto de transformação por que passa a sociedade brasileira.

O projeto de nova Constituição e Cânones está nas mãos deste Sínodo para dar à Igreja, não apenas um novo arcabouço legal, mas principalmente a clareza e funcionalidade de nossas estruturas para o alcance de nosso maior objetivo que é: proclamar as boas novas do reino de Deus a todas as pessoas, independentemente de sua condição social, econômica, de gênero e raça. As mudanças propostas no projeto apenas revelam que estamos no caminho do movimento de Jesus.

Para além da letra de regras legais, o que buscamos é dialogar com as exigências de nosso tempo e interagir com ele, tanto para fora como para dentro de nossas próprias instancias, desde as comunidades locais até o nível provincial.

Este é o maior objetivo desta reunião sinodal: dotar a Igreja de instrumentos que potencializem a sua missão, sempre tendo em conta o bem comum. Sob a ótica das marcas da missão de nossa família confessional, buscaremos o consenso da Igreja a respeito do que pensa a respeito de si mesma e como esta Igreja pode cumprir a sua parte como espaço de respeito, acolhida, missão e incidência.

Certamente somos uma Igreja diversa culturalmente, teologicamente, mas somos principalmente o povo de Deus escolhido para tornar visível o seu amor pelo mundo. E, como diz o apóstolo amado, precisamos cultivar entre nós o amor de Deus que só se torna concreto através do amor aos irmãos e irmãs. Nossas diferenças não podem ser razão para ameaçar a nossa Koinonia, nossa comunhão em torno da mesa eucarística. A ela são chamadas todas as pessoas e que as diferenças sejam acolhidas como riqueza e não como ameaça.

Esperamos que neste Sínodo seja gerado não apenas um novo corpo de leis, mas principalmente uma Igreja unida e fortalecida para ser um sinal de comunhão – convivendo em meio à diversidade que é um dom entre nós – de serviço e de coragem profética.

Em tempos de conflito politico, de tantas manifestações de injustiças contra os menos favorecidos de nossa sociedade, de tanto cinismo manifesto pelos poderosos, precisamos assumir como Igreja o custo de expor as contradições de nossa sociedade, afirmando o primado da Justiça que gera a Paz que Jesus nos promete.

Que cada delegado e delegada assuma sua responsabilidade de discutir e decidir não segundo a sua visão meramente individual, mas que pense o todo da Igreja. Não podemos permitir que nossas visões particulares sobreponham a necessidade do todo. Que a paixão dos debates e dos posicionamentos não sobrepasse a voz de Deus ao nosso coração.

Que nossa querida IEAB seja iluminada e fortalecida pelo Espírito Santo e que a nossa nova Constituição e novos Cânones sejam animadores de nossa vida, devoção e ação concreta em nosso País! Que estes instrumentos nos capacitem e nos preparem para apresentar a razão da nossa esperança.

Deus nos ajude, agora e sempre!

São Paulo, 16 de junho de 2016

++ Dom Francisco de Assis,

Bispo Primaz e Diocesano da Sul Ocidental e Distrito Missionário Anglicano

+ Dom Naudal Gomes,

Bispo da Diocese Anglicana de Curitiba

+ Dom Filadelfo Oliveira,

Bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

+ Dom Mauricio Andrade,

Bispo da Diocese Anglicana de Brasilia

+ Dom Saulo Barros,

Bispo da Diocese Anglicana da Amazônia

+ Dom Renato Raatz,

Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas

+ Dom Flavio Irala,

Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo

+ Dom Humberto Maiztegui,

Bispo da Diocese Meridional

+ Dom João Peixoto,

Bispo da Diocese Anglicana do Recife

IEAB inicia Sínodo Extraordinário

qua, 15/06/2016 - 20:50

Membros da Igreja estão reunidos em Vargem Grande Paulista para finalizar o debate eclesial dos últimos dez anos

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – IEAB se reúne 16 a 19 deste mês, na Cidade de Vargem Grande Paulista/SP para reiterar os assuntos que darão continuidade ao processo atualização de suas normas constitucionais e canônicas da Igreja. Este processo já alcança praticamente uma década. O trabalho foi sistematizado pela Comissão de Constituição e Cânones após ampla consulta às dioceses e instancias provinciais.

O anseio deste Sínodo, de caráter extraordinário é trabalhar com demandas atuais que estão na pauta da sociedade, capacitando a Igreja a responder com eficácia os desafios de sua missão e incidência pública,  conforme assim deliberou o último Sínodo que aconteceu na Cidade do Rio de Janeiro/RJ em 2013.

O encontro acontece no Centro Mariápolis Ginetta, mantido pelo Movimento dos Focolares, que promove um intenso e frutuoso diálogo ecumênico com diversas tradições cristãs. As nove Dioceses e o Distrito Missionário Anglicano enviarão representantes para analisarem, discutirem e votarem a nova Constituição e os novos Cânones Gerais. Ao todo, serão 57 delegados incluindo a Câmara dos Bispos e a Câmara de Clérigo(a)s e Leigo(a)s.

O Primaz Dom Francisco de Assis da Silva presidirá o Sínodo e contará com a Comissão Nacional de Constituição e Cânones na facilitação metodológica na reunião sinodal. A Província tem acompanhado com interesse as propostas apresentadas que terão impacto pastoral e teológico na vida de toda a Igreja. Temas como ministério, disciplina, aposentadoria do clero, matrimônio, mudança da sede provincial são alguns dos destaques deste Sínodo.

O Primaz propõe que toda a Igreja se coloque em oração por este importante momento da história da Igreja, para que as decisões sejam tomadas sempre na direção de uma Igreja que serve e proclama o amor de Deus em meio à sociedade brasileira que vive uma crise política e institucional sem precedentes.

Conheça o Centro Mariápolis Ginetta

Mensagem do Primaz pela Semana das pessoas Pioneiras da IEAB

qua, 08/06/2016 - 10:47
“Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome”. Salmos 100:4 Irmãos e Irmãs, Com a celebração de hoje, em nosso Calendário Cristão, da vida e ministério de Vicente Brande, encerramos o setenário de homenagem e reverência pelos pioneiros da IEAB. Nas igrejas do Canadá e dos Estados Unidos, também se celebrou esta semana que evoca a memória, o espírito missionário e a dedicação de homens e mulheres responsáveis pela presença de uma Igreja Anglicana nacional, durante estes 126 anos. Foi muito animador receber mensagens de muitos amigos pela passagem dessa semana. Aqui em nossa Província, muitas comunidades celebraram este Setenário com alegria e refletiram sobre os desafios que temos como IEAB na continuidade da obra missionária. Estamos nos aproximando de nosso Sínodo Extraordinário, que começa no dia 16 de Junho. Um Sínodo que tratará da aprovação de nossos novos Cânones e Constituição. Não se trata apenas de uma mudança de legislação, tornando-a mais adequada aos novos tempos, depois de 22 anos desde o último Sínodo Extraordinário; trata-se de repensar nossa forma de fazer missão. Precisamos seguir a trilha de nossos pioneiros e pioneiras: amor a Cristo, amor às pessoas e amor ao serviço. Sem estes pilares, nossa incidência será apenas um ativismo sem propósito. A conjuntura de crise de valores que vivemos hoje exige que redobremos nossa dedicação para fazer a nossa Igreja ser um espaço de acolhimento, de oração e de corajoso testemunho à exemplo daqueles que plantaram as sementes. A nossa árvore pode não ser uma das maiores da floresta. Mas é uma árvore que dá flores e frutos de raríssima beleza. Aliás, os botânicos têm a habilidade de identificar, no meio de selvas densas, flores de indizível beleza. Somos estas flores e somos belos e nosso perfume é agradável. Porque este perfume não é nosso: é de Cristo! Parabéns IEAB pelo seu aniversário. Parabéns pela coragem – mesmo contra a corrente conservadora e retrógrada que parece ressuscitar nestes dias de crise política e social. E vamos seguir adiante na construção de uma sociedade democrática e justa. Que cada um de nós possa seguir o exemplo de nossos irmãos e irmãs que dedicaram  as suas vidas a construir comunidades de fé que fizeram e fazem a diferença, desde o Oiapoque ao Chuí! A Deus demos graças!


Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Diocesano em Santa Maria

Comunhão Anglicana é convocada a orar para a superação da epidemia de HIV-Aids

ter, 07/06/2016 - 15:25

De 08 a 10 de Junho, estará sendo realizada uma Conferência  de alto nível na Organização das Nações Unidas sobre medidas concretas para a eliminação da epidemia de AIDS até 2030 no mundo. Isto faz parte de iniciativas em torno da Agenda 2030, também conhecida como plataforma dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A presença anglicana desta Conferência será coordenada pela Cônega Dra. Flora Winfield e se espera que esta conferência adote medidas concretas que representem o compromisso de líderes religiosos do mundo inteiro contra esta epidemia que tem atingido principalmente o continente africano.

O bispo Festo Yeboah Asuamah, da Diocese Sunyani, Gana, expressou sua preocupação com o crescimento da epidemia de AIDS em sua diocese a qual tem sofrido com elevado número de pessoas sendo infectadas, com crescimento de orfandade no seio de muitas famílias e desesperança das pessoas com relação ao futuro.

Esta situação não é diferente em outras partes da África e precisa ser enfrentada com determinação por governos, organizações da sociedade civil e pelas Igrejas. Há um claro apelo por orações em toda a Comunhão Anglicana com vistas a que esta Conferência possa produzir resultados concretos e que medidas urgentes sejam aplicadas para superar este grave desafio.

Programas de educação e prevenção, bem como policias públicas eficazes podem representar esperança para as vítimas, suas famílias e filhos. Mesmo em países, como o Brasil, com vasta experiência acumulada neste campo, os índices de transmissão do HIV preocupam muita gente.

É imperativo como Igreja apoiar iniciativas que levem à contenção desse mal que tem causado dor e luto. Há um claro apelo do Escritório da Comunhão Anglicana para que se ofereçam em comunidades locais e diocesanas das Províncias orações especiais por esta Conferência e também em favor das pessoas e famílias que têm sofrido consequências trágicas da epidemia do HIV-AIDS.

Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Diocesano em Santa Maria

Nota de Esclarecimento sobre o Conselho Consultivo Anglicano 16

qua, 11/05/2016 - 19:57

CAMINHANDO JUNTOS: UM ESCLARECIMENTO
6 de maio de 2016

Desde a enriquecedora, empoderadora e construtiva reunião do Conselho Consultivo Anglicano (CCA-16) em Lusaka, 8-19 abril de 2016, uma série de declarações apareceram no que se refere ao posicionamento do CCA-16 com o resultado da Reunião e Encontro dos Primazes de janeiro de 2016.
Como membros recém-saídos do Conselho Consultivo Anglicano e do Comitê Permanente, escrevemos para esclarecer nossa compreensão do que aconteceu no CCA-16 em relação à última reunião dos Primazes.
O CCA-16 aprovou uma resolução, “Caminhando Juntos”, como segue:
O Conselho Consultivo Anglicano
1. recebe o relatório formal do Arcebispo de Cantuária ao ACC16 sobre a Reunião e Econtro dos primazes de Janeiro de 2016; e
2. afirma o compromisso dos Primazes da Comunhão Anglicana de caminharem juntos; e
3. compromete-se a continuar a buscar formas adequadas para que as províncias da Comunhão Anglicana caminhem juntas entre si e com os Primazes e os outros Instrumentos de Comunhão.
Ao receber o relatório formal do Arcebispo de Cantuária da Reunião e Encontro dos Primazes, o CCA-16 não endossou nem afirmou as consequências contidas no Comunicado dos Primazes. Não houve discussão ou decisão em plenário em relação ao Comunicado dos Primazes. De nossa perspectiva, não parece ter havido um pensamento comum sobre o assunto, senão o compromisso claro de evitar novos confrontos e divisão. O CCA-16 de fato acolheu a chamada para os Instrumentos de Comunhão e as Províncias continuarem a caminhar juntos no discernimento do caminho a seguir. Mas nenhuma consequência foi imposta pelo CCA e nem se pediu ao CCA que o fizesse.
Durante a reunião houve muitas oportunidades, tanto formais como informais, para explorar o tema do CCA-16, “Discipulado intencional em um mundo de diferenças”. Isso foi feito fiel e respeitosamente.
Como ex-membros do Conselho Consultivo Anglicano e do Comitê Permanente, continuamos a defender apaixonadamente o papel distinto e independente do CCA como um dos Instrumentos de Comunhão. O CCA fornece um espaço de importância crucial para a partilha de nossas histórias na missão de Deus como leigos, sacerdotes, diáconos e bispos dos muitos e diversos contextos das Províncias da Comunhão Anglicana. No CCA-16, nós realmente testemunhamos o compromisso afirmado de caminhar juntos em nossa vida como Corpo de Cristo.
Helen Biggin, Igreja no País de Gales (2009-2016)
Prof Dr. Joanildo Burity, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (2009-2016)
Revmo. Ian T. Douglas, Igreja Episcopal (2009-2016)
Revma. Dra. Sarah Macneil, Igreja Anglicana da Austrália (2009-2016)
Cônega Elizabeth Paver, Igreja da Inglaterra, Ex-Vice-Presidente (2009-2016)
Revmo. James Tengatenga, Igreja da Província da África Central, Ex-Presidente (2009-2016)

SAIBA MAIS SOBRE AS REPERCUSSÕES DA NOTA:

http://www.churchinwales.org.uk/news/2016/05/acc16-walking-together-statement/

http://www.anglicannews.org/news/2016/05/secretary-general-rejects-criticism-over-walking-together-resolution.aspx

http://www.christiantoday.com/article/anglican.chief.counters.accusations.of.lusaka.six/85682.htm

SADD lança nova publicação

qua, 11/05/2016 - 12:52

O Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento – SADD, organizou uma revista, que impulsionará o debate sobre Gênero, Sexualidades e Direitos em todos os âmbitos da IEAB.

Você pode adquirir este trabalho por meio da Livraria Anglicana, custa  apenas R$ 10,00!

Mais informações para a aquisição da revista:

Secretaria Geral da IEAB

(11) 3667-8161

sec.geral@ieab.org.br

Para conhecer mais sobre o trabalho do SADD

Não deixe de curtir a página do facebook!

GT JUVENTUDE

sex, 22/04/2016 - 09:54

Com grande alegria, o GT Juventude vem partilhar que o conteúdo do relatório sobre as ações no último ano e os planos de ação para a juventude de nossa igreja foi aprovado unanimemente pela Câmara dos Bispos e pelo Conselho Executivo do Sínodo. Trazendo forte ânimo na caminhada e nos traz a dividir esta notícia com toda a igreja, agradecendo a todos os que, acreditando no papel profético da juventude e da necessidade estratégica de pensar no ministério juvenil para o futuro (e o presente) da igreja, seguem apoiando os movimentos voltados à rearticulação e animação da juventude em nossa província.

O ENUJAB 2015 foi um sucesso. Graças a entrega de cada jovem participante para ouvir o que o Senhor queria nos dizer através de “orAÇÃO”; e graças à oração das pessoas por este momento da juventude e ação das comunidades para viabilizar as passagens e inscrições destes participantes. Queremos agradecer a todos que se movimentaram para enviar os jovens ao ENUJAB.

Àqueles que participaram presencialmente do sonho provincial chamado ENUJAB e ficaram com gostinho de quero mais: fiquem ligados. Em continuação ao planejamento de fortalecimento da juventude, estaremos divulgando, em breve, no nosso perfil de Facebook, inscrições para a participação do Curso de Formação para Líderes Jovens. Projeto desenvolvido devido aos constantes apelos dos jovens e lideranças da IEAB, que desejam obter uma formação mais aprofundada para os jovens, na área da liderança e da identidade anglicana. Para quem não participou do ENUJAB, aproveite e participe deste curso, valerá a pena entrar neste barco que está em curso.

O Curso será disponibilizado para jovens de 18 a 32 anos, em plena comunhão com a IEAB, com focos em três eixos: Diaconia, Espiritualidade e Missão. Este curso terá duas etapas: 1ª estudos à distância, e a 2ª serão os encontros presenciais, por Área Provincial, ao fim de cada módulo online. Haverá uma terceira etapa para quem optar pelo eixo Jovens em Missão, onde acontecerá um envio missionário a outra diocese, a fim de participar contribuindo em algum projeto de missão na diocese que o abrigará. Os jovens que participarem do Curso estudarão temas como: Bíblia, História da Igreja e Direitos, na modalidade à distância, e Vocação, Liderança e Elaboração de Projetos, nos encontros presenciais de Área.

Estaremos divulgando, em breve, maiores informações sobre este projeto de formação da juventude anglicana. Acreditamos que este projeto ajudará no desenvolvimento de novas vocações e fortalecimento das juventudes nas Dioceses e no Distrito Missionário. E aos poucos, os sonhos que foram sonhados juntos vão se tornando realidade.

“Felizes são os jovens que sonham, pois correm o doce risco de verem seus sonhos realizados” – Dom Helder Câmara

GT Juventude

Mensagem à Igreja de Cristo e à Sociedade Brasileira

qui, 31/03/2016 - 11:22

“ A sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, pacífica, humilde, compreensiva, cheia de misericórdia e bons frutos, sem discriminações e sem hipocrisia. Na verdade um fruto de justiça é semeado na paz, para aqueles que trabalham pela paz.” (Tiago 3:17-18)

Irmãs e irmãos, cidadãs e cidadãos deste país que também dá nome a nossa Igreja, viemos por meio desta reafirmar aquilo que já manifestamos no documento intitulado “EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DA JUSTIÇA SOCIAL E CONTRA O IMPEACHMENT DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF”, publicado em 10 de Dezembro de 2015, onde expressamos nosso entendimento que o processo de impeachment é movido por líderes políticos, muitos deles tornados réus em “processos de corrupção (…) e conhecidos defensores de setores empresariais que historicamente têm se beneficiado com o uso do dinheiro público”.

As igrejas históricas, que não tem nenhum envolvimento direto com este ou qualquer outro governo e que não possuem bancadas, têm se manifestado no mesmo sentido. Estas igrejas reafirmam a defesa do devido processo legal e dos procedimentos institucionais da democracia. Não defendem, portanto, um partido ou liderança política em particular, mas conquistas sociais e econômicas que reduziram vergonhosos índices de miséria extrema e possibilitaram acesso à moradia, educação e saúde a milhões de pessoas totalmente excluídas destes direitos inalienáveis da pessoa humana.

O Conselho Nacional de Igreja Cristãs (CONIC)- que inclui as igrejas Católica Apostólica Romana, Confissão Luterana no Brasil, Presbiteriana Unida, Sirian Ortodoxa e a nossa IEAB- divulgou o “Manifesto de Religiosas e Religiosos em defesa da democracia”, endossado por pessoas de diferentes religiões, para além da fé cristã, no qual se afirma que “não concordamos com a judicialização da política, com a partidarização da justiça e com a espetacularização de ações judiciais. Essas são práticas que contribuem para o descrédito das instituições e o acirramento de posições polarizadas, o que leva a população brasileira a desacreditar na justiça. Optamos por manter o respeito a quem pensa diferente. Defendemos o direito ao pluralismo democrático e ao contraditório. Sejamos fiéis ao diálogo sincero, mesmo com quem tem posições políticas contrárias às nossas”.

Nosso Bispo Primaz, Dom Francisco de Assis da Silva, no mesmo contexto, reafirma que

“[...] as investigações de corrupção cometidas por agentes do Estado em todos os poderes em conluio com segmentos empresariais são um atentado contra o povo e devem ser enfrentados com a lei é somente dentro dela. São legítimas somente quando existam provas concretas e quando garantem o direito à ampla defesa. Interesses corporativos de órgãos da grande mídia não podem e não devem ser ideologicamente seletivos e nem condenar a priori ninguém por causa de seu perfil ideológico”.

Além de assumir integralmente as declarações citadas acima, queremos, em atenção a nossa tarefa pastoral e evangélica, não apenas para as pessoas que frequentam nossa igreja, mas para toda a sociedade brasileira, manifestar:

  1. Que a forma com vem sendo conduzido o processo de impeachment mostra claros vícios antidemocráticos, não tipificando crime de responsabilidade conforme a legislação vigente e escondendo a verdadeira intencionalidade de impedir a continuidade e avanços de conquistas sociais que mudaram a vida de milhões de pessoas brasileiras nos últimos anos;
  2. Que, para o bem da sociedade e da cidadania brasileiras, o combate à corrupção em todos os níveis deve continuar, e que, além de fortalecer-se como política de Estado, jamais partidária, defendemos uma ampla reforma do sistema político-eleitoral no Brasil, através de um Plebiscito Constituinte – em conformidade com movimentos e organizações populares – que, entre outras medidas, determine o financiamento público de campanhas, eliminando o abuso e comprometimento de pessoas eleitas com interesses empresariais ou quaisquer outros que não sejam o bem-estar de nosso povo e,
  3. Que, como foi recomendado na nota de nosso Bispo Primaz, naquilo que tivermos diferentes entendimentos políticos, busquemos “que se respeite a livre manifestação do pensamento dentro de padrões que não contemplem o ódio e a violência contra pessoas e grupos”. Pois estas formas de intolerância impossibilitam o convívio democrático que buscamos na construção da paz e da justiça em nosso país.

Entendemos que é nossa tarefa pastoral e profética, levantar a nossa voz, como parte da Igreja de Cristo, em favor da justiça, da verdade e da paz, seguindo o que nos recomenda a Carta de Tiago, “um fruto de justiça é semeado na paz, para aqueles que trabalham pela paz” e fazendo eco ao Salmo 85:10: “a misericórdia e a verdade encontraram-se; a justiça e a paz se beijaram”. Sendo assim, exortamos a todas as pessoas de boa vontade para que trabalhem na preservação dos valores democráticos da sociedade brasileira.

São Paulo, 31 de março de 2016

Dom Francisco de Assis da Silva, Bispo Primaz e Diocesano da Sul Ocidental

Dom Naudal Gomes, Bispo da Diocese Anglicana de Curitiba

Dom Filadelfo Oliveira, Bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

Dom Mauricio Andrade, Bispo da Diocese Anglicana de Brasilia

Dom Saulo Barros, Bispo da Diocese Anglicana da Amazônia

Dom Renato Raatz, Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas

Dom Flavio Irala, Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo

Dom Humberto Maiztegui, Bispo da Diocese Meridional

Dom João Peixoto, Bispo da Diocese Anglicana do Recife

Um túmulo Vazio: ​a ternura é mais forte que o ódio!

qua, 23/03/2016 - 12:01

Não está aqui, mas ressuscitou. Lucas 24:6

Nas primeiras horas de um domingo na Palestina do primeiro século, uma comunidade estava abatida pelos acontecimentos de uma semana cheia de tristes memórias. Um profeta tinha terminado a sua missão como tantos outros profetas na história do Povo de Deus. Silenciado pelo poder de uma ordem religiosa e política que não se conformava com mudanças. Tudo parecia deprimente. Até que os raios de sol trouxeram consigo algo inesperado: aquele que estava morto reviveu!

Os semblantes abatidos se transformaram, o luto deu lugar à alegria e a esperança reacendeu nos corações dos pobres, dos excluídos, dos silenciados. Literalmente uma transformação do luto à luta. O sopro do Espírito estava ativo, pronto para fazer um exército ressurgir, como na visão de Ezequiel. Assim começava a Igreja do movimento de Jesus, agora o Cristo de Deus.

Não posso deixar de comparar esta descrição com a situação de nosso país.O povo brasileiro tem vivido no último ano um longo período de desesperança. Projetos de uma nova sociedade, baseada na justiça e na solidariedade tem sido adiados por aqueles que – a exemplo dos poderes constituídos na Palestina do primeiro século – não aceitam a mudança da pirâmide social. O poder ​para eles, ​ao invés de estar a serviço do povo, ​deve servir a​os​ seus interesses privados. Corrupção e escárnio capturam o direito dos pobres. A conta do esbanjamento dos ricos é paga com a dignidade dos excluídos. Some-se a isso a instabilidade política que se avoluma nas últimas semanas. Velhos fantasmas estão loucos pra voltar e já não escondem os rostos, pois a vergonha já não lhes tolhe o ímpeto.

Tempos que exigem de nós, membros do movimento de Jesus, resiliência, confiança e união. O nosso compromisso é com o Evangelho que nos diz para quem e com quem devemos levar adiante o sonho do reino de Deus. Não falo aqui de partido político, nem de pessoas individualmente. Falo de um projeto de sociedade​ que respeita e valoriza a verdade, a justiça e o bem estar de todas as pessoas. ​​Falo do respeito à ordem constitucional, ao Estado de Direito e à Democracia.

O Ressurreto nos diz claramente: a morte não é a última palavra de Deus para a humanidade. A vida é possível e a forma de vivê-la na História se dá por uma cidadania profética.  ​A desesperança, o medo e a velha ordem ficaram junto com os lençóis que o Ressurreto deixou dentro do túmulo. Agora será um tempo de espalhar a boa nova aos presos, aos cegos e aos famintos de justiça.

Renovemos a nossa fé fixando nossos olhos nos olhos do Cristo Ressuscitado, que se dirige à Maria de Magdala e diz ternamente: Maria,sou eu! Dizem que os olhos são as janelas da alma. Por isso, deixemos nos inundar por esse olhar verdadeiro, amoroso e justo. Nos unamos a Ele e seremos um somente! A ternura será uma arma mais eficaz que o ódio. E vamos sair, com alegria, anunciando o Reino de Paz e Justiça. Para o Brasil e para o nosso conturbado Planeta.

Feliz Páscoa a todo o povo de Deus!

++Francisco, Santa Maria

Primaz do Brasil

NOTA DO PRIMAZ DA IEAB SOBRE O MOMENTO POLÍTICO BRASILEIRO

sab, 12/03/2016 - 12:16

Considerando o ambiente político nacional e o clima de mobilizações políticas destes últimos dias, desejo dirigir uma palavra pastoral a todas as pessoas cidadãs de nosso país, prevenindo consequências cuja medida ainda não é possível avaliar.

Desejo transmitir uma mensagem de esperança e confiança em nosso Deus para que o diálogo respeitoso permaneça e as manifestações políticas aconteçam com o respeito às leis e ao Estado democrático de Direito.

A exacerbação de ânimos não pode extrapolar os limites das liberdades constitucionais, conquistados pelo povo brasileiro e que não devem sofrer qualquer recuo. Estão  em jogo dois projetos de sociedade: um que prega a continuidade dos avanços dos direitos sociais da maioria do povo brasileiro e outro que se constrói sobre pressuposto conservador, autoritário e que serve apenas às elites e seus interesses.

Diante disso, as Igrejas do Brasil conclamam o povo brasileiro a respeitar a legalidade republicana e democrática, construída a duras penas e banhada pelo sangue de homens e mulheres que deram a sua vida a serviço das causas libertárias de uma sociedade justa, inclusiva e pacífica..

As investigações de corrupção cometidas por agentes do Estado em todos os poderes em conluio com segmentos empresariais são um atentado contra o povo e devem ser enfrentados com a lei é somente dentro dela. São legítimas somente quando existam provas concretas e quando garantem o direito à ampla defesa. Interesses corporativos de órgãos da grande mídia não podem e não devem ser ideologicamente seletivos e nem condenar a priori ninguém por causa de seu perfil ideológico. A tentativa de desqualificar pessoas como a do ex-presidente Lula, sem provas concretas, bem como a outras pessoas com perfil político mais à esquerda, é uma nítida estratégia corporativa que não ajuda no processo de esclarecimento da verdade. Apenas acentua o caráter político e agrava a tensão no meio da sociedade.

Este é um processo global e latinoamericano que tem realizado mudanças políticas conservadoras, em prejuízo da ampla maioria do povo e tem provocado desastroso retrocesso político que nossa consciência evangélica não deve tolerar.

Mas há algo que não deve ser esquecido: jamais deixemos que o ódio prevaleça na militância política e em meio às tensões que vivemos nestes tempos em nossa sociedade. O ódio será sempre um mal conselheiro. Firmeza de convicções não pode ser instrumentalizada pela eliminação simbólica de nossos opositores.

Portanto, dirijo uma palavra ao nosso povo anglicano, recomendando que se observe o seguinte:

  1. Que se respeite o estado democrático de direito e se evite qualquer manobra de desconstrução do resultado das urnas;
  2. Que se rechace qualquer tentativa de retorno ao autoritarismo e a qualquer modelo que represente cerceamento dos direitos individuais e coletivos conquistados;
  3. Que se respeite a livre manifestação do pensamento dentro de padrões que não contemplem o ódio e a violência contra pessoas e grupos;

Que Deus nos abençoe e que sejamos capazes de defender com firmeza um projeto de sociedade que traga consigo os valores da justiça e da paz! Um projeto que beneficie toda a sociedade. Que haja mais amor e menos ódio!

Santa Maria, 12 de março de 2016

Do vosso Primaz,

++FRANCISCO

IEAB se faz presente mais uma vez com a representatividade de mulheres na ONU

ter, 08/03/2016 - 17:44

Natalia Feldens Maiztegui, jovem da Diocese Meridional, estará representando a Igreja Nacional em Nova York

por Vagner Ernani Mendes Junior


No próximo dia 13, haverá um congresso focado na participação e atuação das mulheres em várias regiões do globo na Sede da Organização das Nações Unidas (ONU), a IEAB há alguns anos encaminha sua representatividade através de presenças femininas atuantes em suas comunidades locais e em todas as esferas da vida eclesial. Neste ano, Natalia Feldens Maiztegui participará dos encontros, oficinas e colocações.

Natalia é coordenadora da UJAB da Diocese Meridional (RS)

Ela concedeu numa entrevista suas impressões antes da viagem, em ocasião que hoje (08), também se comemora o Dia Internacional da Mulher:

SNIEAB: Pode nos contar sobre sua trajetória na IEAB?

Meu nome é Natalia Feldens Maiztegui, tenho 23 anos, sou mulher e jovem, fiz faculdade, uso o transporte público, voto, estou descontente com a realidade do meu país, tenho namorado, que também é jovem e um irmão mais novo que como eu enfrenta uma sociedade machista e falocêntrica, onde a mulher e homem sofrem injustiças que devem ser reconhecidas. Sou coordenadora da União da Juventude Anglicana do Brasil na minha diocese e enfrento o duplo desafio de ser ignorada pelas instâncias de poder da igreja e da sociedade, não sendo ouvida por ser jovem e já vendo que pouco serei ouvida como mulher. Houveram avanços tanto na igreja como na sociedade, mas estes ainda banhados de velhos preconceitos, sobre o que a mulher veste, pensa, sobre quanto seu trabalho vale, sobre qual seu papel na sociedade… Que afeta de maneira assustadora à todas, sobretudo as mulheres jovens e meninas. Isto me põe de encontro com as temáticas que serão abordadas no encontro, o empoderamento da mulher e o desenvolvimento sustentável.

SNIEAB: O que você espera da sua viagem como representante do Brasil?
Com esta viagem espero primeiramente deixar transparecer minha indignação quanto a situação das mulheres no Brasil e no mundo, lembrando que os direitos das mulheres são Direitos Humanos, e muitas vezes estes lhes são negados por sociedades injustas, que as negam os direitos de expressão, de instrução, de saúde, de segurança, de alimentação, de escolha, de moradia digna e de paz. Com isso lhes nega o direito de viver em plenitude. Não posso deixar de expressar meu interesse em conhecer e conversar com estas mulheres, algumas delas jovens como eu, e a realidade de seus países e suas culturas, para que possamos juntas pressionar a ONU MULHERES e que assim  pressione os governos para que assim adotem políticas que beneficiem as mulheres, sobretudo as mais vulneráveis. Penso que a igreja possa se beneficiar mais diretamente deste contato, tendo uma perspectiva mais direta da realidade das mulheres no mundo através do meu relatório, e a oportunidade de questionar dentro de si os elementos que forem levantados em discussão. Seria impossível voltar sem trazer elementos que ajudem as mulheres e meninas na caminhada em favor a seus direitos, uma caminhada que também é minha, que se reflete em quem sou e que é inseparável de mim. Sou mulher, sou jovem e tenho a esperança de lutar pelos direitos de todos os seres humanos, e lutar principalmente contra a cultura do machismo que nos afeta como sociedade, nos afasta do desenvolvimento sustentável e de uma sociedade justa. Se não houvesse esperança de encontrar realidades comuns com as quais trabalhar, que ilustram a realidade da mulher a nível global e devem ser aplicadas no nosso contexto, de que serviria a minha participação no encontro? Vou por que acredito que possa voltar com novas soluções, novas lutas e novas ideias para transformar a sociedade.
SNIEAB: Para finalizar, o que impede o andamento da caminhada das mulheres?

O que na minha visão está impedindo o andamento da caminhada das mulheres, sobretudo as jovens, é o machismo que desencadeia a desvalorização do ser mulher, do trabalho da mulher, a sensualização do corpo feminino, sobretudo das meninas… Alguns dados refletem estes embates e algumas reações dão esperança a seu enfrentamento. O nível educativo das mulheres no Brasil está crescendo em relação aos homens, de 2003 a 2013 ocorreram 6 milhões de matrículas onde 3,4 milhões foram de mulheres e 2,7 de homens, neste período entre as pessoas que ingressaram na universidade 55% eram mulheres e entre os que concluíram 60% eram mulheres. Mesmo assim elas recebem 30% a menos em salario (em média) para a mesma função. Nas eleições de 2014, 30,7% das pessoas que se candidataram eram mulheres, onde foram eleitas apenas 10,6% de mulheres para o congresso, além da presidente, apenas uma mulher é governadora ( existem 27 estados no Brasil). Também é possível perceber que a violência contra a  mulher persiste, sobretudo em casa, nas mãos de cônjuges ou ex cônjuges, sendo em sua maior parte mulheres e homens vitimas de uma cultura machista, que torna normal uma mulher submissa que apanha e um marido “forte”, “macho”, “provedor”, que sem refletir tirou o direito dele mesmo de ser feliz, amoroso, carinhoso, sensível e partilhar sua existência no mundo de maneira saudável. Acredito que tudo isso pode mudar, pode “melhorar” e ser superado. O acesso a educação e o interesse em formação acadêmica, como dizem os dados, vem aumentando, cada vez mais homens e meninos, mulheres e meninas vem questionando ideais machistas e colocando-os em cheque. Vemos isso nas mobilizações estudantis e juvenis pelas redes sociais, nas mobilizações dos movimentos feministas, nas discussões feitas pela União das Mulheres Anglicanas do Brasil, pelo uso da linguagem inclusiva no novo Livro de Oração Comum… Mobilizações como estas mostram que mudar é possível, e sobretudo é essencial para nossa sobrevivência como planeta, como sociedade. É essencial que os homens se sintam livres para serem sensíveis e amorosos, assumirem junto as mulheres os trabalhos “domésticos” e de criação dos filhos. também é primordial que as mulheres tenham igualdade de direitos e oportunidades, sintam-se seguras e não carreguem a culpa por sofrerem violência, discriminação, machismo. Essa consciência é um caminho que devemos trilhar para uma sociedade nova, o Reino de Deus. ——– Visite o site da Diocese Meridional Saiba mais sobre o trabalho da ONU Mulheres no Brasil Sobre a ONU no Brasil Sobre a ONU no mundo Conheça mais acerca da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

CONVITE

ter, 08/03/2016 - 16:39

O Bispo Primaz do Brasil, Dom Francisco de Assis da Silva, estará presente na cerimônia de Instalação do novo Deão da Catedral Nacional da Santíssima Trindade, Rev. Jerry Andrei dos Santos e da Instituição como Cônega da Rev. Marinez Rosa dos Santos Bassotto em Porto Alegre (RS).

Sua presença e orações são esperadas!

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

ter, 08/03/2016 - 09:04
Neste 08 de março eu queria prestar uma homenagem às mulheres , mas especialmente desejo fazer um corte claro, absolutamente necessário nestes tempos de aguçamento ideológico em nosso país. Quero me dirigir especialmente a três grupos que sofrem diariamente as consequências de uma sociedade que descarta, que exclui e, inclusive, criminaliza as pessoas que querem mudanças estruturais. Me dirijo às mulheres agricultoras e às mulheres negras e indígenas. Vivemos dias em que as elites brasileiras e seus aliados mostram a sua cara e desavergonhadamente instrumentalizam a mídia e o poder judiciário para destilar seu ódio contra qualquer projeto de efetiva transformação social. E uma efetiva transformação social não pode se efetivar sem a maciça participação das mulheres. As agricultoras brasileiras pobres tem sido vítimas de uma sistemática exclusão e criminalização por parte do barões do agronegócio que não desejam que a agricultura familiar conquiste o espaço de consumo da população com produtos limpos de veneno, da transgenia e que constitui a maior parte da produção agrícola de alimentos para a mesa do povo brasileiro. O restabelecimento da justiça social não pode prescindir da inclusão econômica, cultural e política das mulheres indígenas que sofrem as consequências da apropriação violenta de seus territórios por inescrupulosos agentes econômicos. Desrespeito e violência contra suas tradições e o abandono completo de políticas sociais que afetam sua dignidade. Uma sociedade civilizada só poderá se estabilizar se a variável de raça e gênero for respeitada em condições de igualdade, evitando a discriminação, e a exploração das mulheres negras. Estereotipadas na divisão social do trabalho e assediadas numa contínua reprodução de uma cultura da casa grande e da senzala. Na semana que vem, estará acontecendo a sexagésima Conferência das Nações Unidas sobre o status da Mulher, em Nova Iorque. Anglicanas do mundo inteiro representarão nossa Comunhão e nossa Província se fará representar pela jovem Natália Feldens Maiztegui, da Diocese Meridional.  O tema da Conferencia deste ano tratará do Empoderamento das Mulheres Adultas e Jovens e a relação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Aguardemos as decisões deste encontro e tratemos de aplicar estes resultados esperados no nosso contexto como IEAB e com o compromisso assumido pelas mulheres da UMEAB em assumir o estudo e a aplicação destes Objetivos, para o qual chamei toda a Província a assumir. Finalmente, compartilho com alegria a decisão do Distrito Missionário que, em sua oficina de planejamento realizada neste fim de semana, assumiu o tema da alfabetização das comunidades que enfrentam sérios problemas de analfabetismo, especialmente em sua grande maioria compostas por mulheres. Aliás, segundo dados da ONU, o maior percentual de pessoas analfabetas do mundo, são mulheres agricultoras. Para além de celebrações, este dia deve ser um dia de se assumir compromissos com as mulheres que tem sido as maiores vítimas de um sistema excludente e machista. Mulheres do mundo inteiro, uni-vos e não aceitem homenagens cosméticas, que não reconhecem de verdade o seu lugar, a sua dignidade e a sua força política.

Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Diocesano em Santa Maria