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Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Atualizado: 1 hora 3 minutos atrás

Mensagem da Câmara Episcopal aos Fiéis e ao Clero da IEAB

sex, 02/12/2016 - 22:14

CARTA DA CÂMARA EPISCOPAL SOBRE ATITUDES CISMÁTICAS NA IEAB

“Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz”.

Carta aos Efésios 4.3

A Câmara Episcopal da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) durante esta semana tem sido solicitada a expressar sua palavra pastoral sobre uma Petição Pública que tem sido veiculada pelas redes sociais convidando a adesão a uma Aliança de Comunidades Anglicanas na IEAB.  Certamente este tipo de composição está fora da forma de ser dos Anglicanos, visto que na eclesiologia Anglicana uma aliança de comunidades é representada pela Diocese.

A Câmara Episcopal como pessoas escolhidas pela Graça de Deus e vontade do povo reafirma que todos os bispos, sejam eles diocesanos ou eméritos, prometeram “preservar a fé, a unidade e a disciplina” na Igreja, e que os bispos da IEAB estão unidos para cumprir sua tarefa de unidade na Igreja.

A Câmara Episcopal, reafirma o ordenamento canônico aprovado no último Sínodo, o qual expressa:

a. Qualquer movimento interno da IEAB, organizado deliberadamente sem o consentimento episcopal, constitui uma desobediência ao voto de ordenação, de seguir a orientação pastoral do bispo (a), conforme o Exame Canônico dos respectivos ritos de ordenação.

b. Que a manifestação de ameaças de cisma relativas a qualquer decisão tomada ou em discussão dentro da IEAB, constitui uma atitude explicitamente mencionada nos novos cânones e passível de medidas disciplinares.

Na nossa história recente, a IEAB tem sofrido diversas ações que atentam contra o ethos, ou a forma de ser que esta Província Brasileira tem escolhido como contribuição para a Comunhão Anglicana e para toda a Igreja Católica de Cristo, a saber os oito princípios presentes na Constituição da IEAB:

I. Unidade de todas pessoas cristãs;

II. Solidariedade;

III. Dignidade de toda pessoa humana;

IV. Fraternidade;

V. A Integridade da Criação Divina;

VI. Respeito à pluralidade religiosa;

VII. Inclusividade;

VIII. Promoção e garantia dos Direitos Humanos.

Sendo assim, como episcopado desta igreja, nos sentimos no dever ético e pastoral de zelar por estes princípios, sem pretender impedir o direito à livre expressão de opiniões, enquanto elas sejam no sentido de respeitar a doutrina, a disciplina e o culto desta igreja na qual livremente juramos fidelidade.

Finalmente, conclamamos a todas as pessoas que tem expressado ou apoiado atitudes cismáticas a mudarem de atitude e buscar se expressar e agir na salvaguarda da unidade da igreja, seu ethos, seus ordenamentos canônicos e suas autoridades, de forma a qualificar esta parte da Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica como instrumento adequado para a Missão de Deus no mundo.

Santa Maria, 02 de dezembro de 2016

++Dom Francisco de Assis da Silva, Bispo Primaz,

Diocesano da Sul Ocidental (DSO) e do Distrito Missionário Anglicano (DMA)

+Dom Naudal Gomes, Bispo da Diocese Anglicana de Curitiba (DAC)

+Dom Filadelfo Oliveira, Bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro (DARJ)

+Dom Mauricio Andrade, Bispo da Diocese Anglicana de Brasilia (DAB)

+Dom Saulo Barros, Bispo da Diocese Anglicana da Amazônia (DAA)

+Dom Renato Raatz, Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas (DAP)

+Dom Flavio Irala, Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo (DASP)

+Dom Humberto Maiztegui, Bispo da Diocese Meridional (DM)

+Dom João Peixoto, Bispo da Diocese Anglicana do Recife (DAR)

Encontro Ecumênico de Mulheres do CONIC (São Paulo, Novembro de 2016)

seg, 28/11/2016 - 11:14

Muitas vezes durante o Encontro Ecumênico de Mulheres, me emocionei, com as histórias de vida e luta de muitas mulheres, de diversas comunidades; uma cigana que disse simplesmente: “Meu lar é o céu”. As mulheres camponesas, especialmente uma senhora que aos seus 62 anos concluiu o curso de pedagogia, e compartilhou: “Consegui fazer graças um plano do Governo”, vi mulheres dos Movimentos de Trabalhadores Sem Terra, do Movimento de Mulheres Refugiadas, cada história ia misturando-se com a minha.


Quando voltei pra casa e quis postar as fotos que são uma reflexão de momentos, sentimentos, e vivências inesquecíveis, pensei  num cântico:  “Iguais, tenho irmãos, tenho irmãs aos milhões, em outras religiões. Pensamos diferente, louvamos diferente, oramos diferente, mas numa coisa nós somos iguais: buscamos o mesmo Deus, amamos o mesmo Pai, queremos o mesmo céu, choramos os mesmos ais”, pensei num texto bíblico do Salmo 173: 1 “Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos lembrando-nos de Sião”

Os testemunhos de mulheres refugiadas, o desprendimento de tudo o que deixaram para trás, tentando viver entre esses mundos, que pela minha experiência, é viver no Brasil, país que tem me acolhido como Pátria amada, e sigo sentindo saudades da minha amada terra.

Tudo isto me leva como clériga do Distrito Missionário, como mulher estrangeira assumir, ainda mais, meu compromisso de lutar pelos direitos das pessoas que sofrem não somente da violência doméstica, as muitas famílias que hoje mesmo sofrem fome, são estigmatizadas por serem pobres, negras, indígenas e muitos dos casos de jovens que consomem substâncias entorpecentes. Pensei muito no caminho de volta, nas famílias que entram a cada instante nas fronteiras de Roraima, fugindo da situação econômica da Venezuela, sem mencionar todos os refugiados que entram no Brasil.

Muito grata à Província Anglicana no Brasil (IEAB), pela oportunidade que tem me oferecido de participar deste evento, e saber que nem tudo está perdido, que as mulheres continuam a lutar já que “um mundo melhor é possível”. Não podemos esquecer as muitas mulheres que antes de nós trilharam este caminho, por isso estamos aqui hoje. Muito orgulhosa de ver os nomes de mulheres líderes, com as quais, algumas delas conviveram, me disponho a continuar a escrever esta história de mulheres e homens que buscam o bem, a dignidade a paz de todas e todos.

Revda. Maytée de la torre Díaz.

Uma Mensagem para Advento

sab, 26/11/2016 - 17:17

Que o Deus da esperança os encha de toda alegria e paz, por sua confiança nele, para que vocês transbordem de esperança, pelo poder do Espírito Santo. Romanos 15:13

Há exatamente um ano atrás, na minha mensagem de Advento, eu citava que vivíamos uma conjuntura caótica. Um ano depois nos deparamos com uma situação ainda mais difícil. A sociedade brasileira avança cada vez mais no caminho da divisão política e no desmonte dos direitos dos trabalhadores, aposentados, mulheres, educação, sem falar na falta de perspectiva com relação ao futuro que só aponta dores para os mais pobres.

Parece até que Deus nos abandonou à própria sorte nestes caminhos tenebrosos. Vivemos como nos dias do Egito onde o povo de Israel clamavam do fundo do seu coração por justiça (Ex 2:23-25).

Mas Deus nunca fecha os ouvidos para o clamor do seu povo. Cansado de tanta injustiça, chama Moisés e lhe confere a missão de liderar o movimento de libertação (Ex 3:9-10).

O que sabemos depois de tudo isso é que, mesmo contra toda a conjuntura adversa, o povo saiu do Egito sob a mão poderosa de Deus para “a terra que mana leite e mel”.

Advento significa este tempo de espera da libertação. É um tempo de renovar a nossa confiança e escutar os anjos do Senhor que enviam seus sinais de esperança.

O Menino Deus é o sinal de que as coisas podem ser feitas novas sempre que permanecemos confiantes na promessa de um novo tempo. Tempo não necessariamente cronológico, mas que é tempo de Deus. Cabe à Igreja manter-se fiel ao seu propósito: denunciar as injustiças e proclamar as boas novas de libertação. Mais que nunca, devemos cantar as maravilhas de Deus que escuta os pobres e depõe os poderosos de seus tronos (Lc 2:51,52).

Desejo neste Advento que nossos irmãos e irmãs permaneçam firmes na paciência, esperança e coragem de semear as sementes do Reinado de Deus em nosso país. Que jamais se deixem levar pelo perigoso caminho da acomodação, ignorando valores aos quais estamos vinculados pela fé no nosso batismo. Mesmo em meio a tantos desafios para a missão, somos chamados a insistir, assim como Deus tem insistido conosco desde os primórdios tempos. Vigiar e orar é a regra áurea para que sintamos que a nossa luta não é em vão.

Que a espera do Menino Deus se converta em uma esperança como a dos profetas que antecipam com olhos da fé a realização plena do Reinado de Deus no meio do povo!

Abençoado Advento para todos e todas!

Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Diocesano em Santa Maria

16 Dias de Ativismo (25/11 a 10/12) pelo Fim da Violência contra as Mulheres

sex, 25/11/2016 - 10:22

25 de novembro de 2016

Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres

“Nós percebemos a importância da nossa voz quando somos silenciado(a)s”

Malala Yousafzai

E Jesus afirmou-lhe: “Minha filha, a tua fé te salvou! Vai-te em paz e estejas liberta do teu sofrimento”.

Evangelho de Marcos 5, 34

Vivemos dias difíceis no Brasil, com o recrudescimento de uma onda de conservadorismo político, religioso e social, no qual as conquistas da sociedade desde a democratização no final dos anos 80 estão sendo revertidas de forma rápida e autoritária.

Dentro desse espectro, temos uma séria reversão de valores, tais como a equidade de gênero e a banalização da violência contra as mulheres. As mulheres brasileiras têm construído a duras penas seu processo de empoderamento para enfrentar uma cultura que lhes atribui papéis de subserviência na família, no trabalho, nas igrejas e na sociedade. Avanços foram conseguidos com muita luta a partir dos diversos movimentos de mobilização que elas têm organizado. Políticas públicas muito recentemente no Brasil foram construídas mesmo com a resistência de uma elite machista, preconceituosa e preocupada apenas com seus interesses.

A deposição da primeira mulher Presidenta da história do Brasil foi realizada por um conluio branco-rico-machista que alimenta hoje um governo ilegítimo que muito rapidamente está destruindo direitos, dignidade e a igualdade de gênero. A questão da dignidade da mulher e de seus direitos plenos a uma cidadania realmente paritária com os homens está sob constante risco e, mais impressionante ainda, com o estímulo de políticos de índole machista, racista e xenófobo.

Mais do que nunca, a palavra chave é resistir e inovar. Somente se poderá evitar a destruição de direitos adquiridos se nos juntarmos em torno de uma plataforma comum e resistir por todos os meios qualquer tentativa de passos na direção de um passado que oprime as pessoas pobres, as indígenas, as negras e, claro, as mulheres. São elas que pagam o preço da discriminação e da desigualdade. Não somente tem seus corpos apropriados pela cultura do estupro, mas também suas almas pela repressão ideológica da religiões fundamentalistas.

Ao lado das mulheres, segmentos como as pessoas LGBTI, tem sido vitimas constantes da homofobia, que lhes retira direitos e as expõem ao risco da violência física injustificada e perigosamente desconsiderada pela sociedade. Neste sentido, nossa Igreja está somando esforços aos grupos organizados defesa de direitos, como a ABRAFH – Associação Brasileira de Famílias Homo afetivas, para fazermos eventos ecumênicos em diversas capitais, inclusive alguns deles acolhidos em paróquias anglicanas no dia 10 de dezembro.

No contexto apresentado, desafio a todas as pessoas fiéis, lideranças e comunidades para a construção de uma pastoral da “Igreja Segura”, uma proposta nascida da 15ª Reunião do Conselho Consultivo Anglicano (AAC Resolução 16.25, ano 2012): “As Igrejas só serão santuários, se conscientemente tornarem-se lugares confiáveis e de segurança para cada pessoa que atravessa seus limites, especialmente os membros das comunidades mais vulneráveis”.

Homens e mulheres são chamados a construir um novo paradigma de sociedade. Um paradigma de respeito, gentileza, cumplicidade. Conclamo nossas  comunidades de fé se juntarem em oração e ação contra todo tipo de violência, sendo um chamado de Deus e missão da igreja para dignificar a vida humana e construir uma cultura de paz e equidade.

Contra a cultura do estupro!
Contra o machismo institucional!
Contra a opressão dirigida às pessoas pobres!
Por uma sociedade justa e solidária!

Do vosso Primaz

Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Diocesano em Santa Maria

Mensagem do Bispo Primaz pelo Dia de Ação de Graças

ter, 22/11/2016 - 15:35
“Vamos à presença dele com ações de graças; vamos aclamá-lo com cânticos de louvor. Pois o Senhor é o grande Deus, o grande Rei acima de todos os deuses”. Salmos 95:2-3
Irmãos e Irmãs, Comemoramos na próxima quinta-feira o Dia Nacional de Ação de Graças e conclamo a todo o povo da IEAB a reservarem este dia para celebrar com alegria este momento. A festa se reveste de significado especial porque nos chama ao agradecimento pela vida, pela justiça e pela dignidade de todas as pessoas. A festa é também ocasião de agradecimento a Deus por tudo aquilo que temos recebido de sua maravilhosa compaixão. Ao mesmo tempo que agradecemos, pedimos a Deus que continue a cuidar com carinho e prover as necessidades de toda a Criação e a inspirar cada um de nós a ampliar a nossa consciência de cuidado entre nós mesmos e para com o mundo. Num mundo com tantas diferenças e tantos conflitos de diversos matizes, o sentimento de gratidão a Deus nos desloca adequadamente da autossuficiência, tão alimentado hoje pela cultura que nos cerca, para o reconhecimento de que somos totalmente dependentes do amor divino. Nos faz recuperar o sentimento de interdependência em relação ao nosso semelhante e em relação meio ambiente, tornando-nos mais humildes, sensíveis e dispostos a desenvolver nossa alteridade. Podemos despertar também uma leitura diferente das relações de poder, desde o novel micro até ao novel macro, porque entendemos melhor o significado da presença de Deus em nossas vidas. Um coração agradecido nos afasta de um vida de fé que só se preocupa consigo mesmo, fazendo de Deus quase que um servo de nossos próprios desejos e intenções. Nossa Comissão Nacional de Liturgia, ciente da importância do Dia de Ação de graças, elaborou um rico subsídio para ser usado pelas comunidades de nossa IEAB e também adequada para a oração individual e também em famílias. Uma oportunidade impar para se passar este dia em espirito de oração e celebração de nossa gratidão a Deus por todos os benefícios que nos tem dado com amor. Recomendo que seja usado pelos irmãos e irmãs e que acrescentem em suas orações o desejo de uma Igreja que seja testemunha corajosa do amor de nosso Deus materno para a sociedade brasileira. Vivemos tempos difíceis mas a oração sincera por tempos de justiça e dignidade para o povo brasileiro certamente encontrará guarida no coração amoroso de Deus. Celebremos com alegria as bençãos recebidas da mão generosa de Deus e nos tornemos generosos como Ele todos os dias de nossa vida. DOWNLOAD: Acao de Gracas – EucaristiaAgape – Litirugia de Acao de Gracas
++ Francisco Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Carta da UJAB contra a PEC 55

sex, 11/11/2016 - 11:57

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento,

para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”

(Romanos 12:2)

Como cristãos e cristãs, aprendemos desde os nossos primeiros estudos bíblicos que Cristo foi o maior humanista que existiu em toda a história, e pelas Escrituras confirmamos isso através dos relatos a respeito de todas as suas falas e atos sobre amor ao próximo e cuidado com os oprimidos em prol a justiça e honestidade. Entretanto, uma grande dificuldade enfrentada desde a época de Jesus, se encontram indivíduos que buscam o bem individual ao invés do bem comum, gerando um interesse movido a ganância e egoísmo em conveniência própria. Podemos até mesmo encontrar exemplos no cenário brasileiro atual como a PEC 55 e as ocupações estudantis.

Com base neste tema, podemos comparar, por exemplo, a atual situação do nosso país com a passagem de Isaías 3: 13-15, onde o Senhor se coloca no papel de juiz, contra as autoridades que roubam dos mais necessitados. Para alguns, relacionar esses dois contextos pode parecer um exagero, mas se pararmos para analisar, o intuito da PEC 55, inclusive juridicamente, percebemos que esta vai contra os direitos sociais citados na Carta Magna (exemplo no art. 3º, inciso 3), considerados como fundamentais e universais. Esta PEC não passa somente por cima da lei, a mesma atinge a todos nós, e principalmente os pobres; estes que já se encontram numa realidade precária, agora possuem o temor de um futuro sem perspectiva, sem acesso a saúde, educação, segurança, entre outros direitos que deveriam ser garantidos pelo Estado.

Nós, a Juventude da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil nos posicionamos contra a aprovação da PEC 55 e em favor das manifestações dos estudantes secundaristas e universitários por todo o Brasil, que ocupam as escolas e universidades na defesa de uma educação de qualidade e acessível para todos, não apenas para a elite, associando o ato político com as ações de Cristo, que visam buscar não só o direito próprio, mas sim o direito comum. Da mesma maneira, repudiamos as formas violentas como alguns grupos tentam realizar a desocupação dessas escolas, bem como a ação truculenta da polícia contra estes estudantes. Nossa posicionamento em relação a PEC 55 e as ocupações não é nada a mais, nada a menos do que uma aplicação dos ensinamentos de Cristo sobre amor ao próximo e senso de irmandade, onde estamos protegendo o direitos dos nossos irmãos ao livre arbítrio (as ocupações) e estudo, em meio a avareza e interesses próprios daqueles que escolheram a riqueza material e a soberba como seu deus.

UJAB – União da Juventude Anglicana do Brasil

Uma Palavra da IEAB para o Dia da Reforma Protestante

seg, 31/10/2016 - 12:37

Hoje, se celebra na tradição das famílias cristãs ocidentais, o inicio do ano do quinto centenário da Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero. Este movimento foi de suma importância para a vida da Igreja e trouxe consigo muitas e preciosas contribuições para uma Igreja diante de tantos desafios que exigiam uma profunda renovação na fé.

Envio aos meus irmãos e irmãs luteranos a minha saudação em nome da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, agradecendo a Deus por seu testemunho de fé e sua prática baseada no sentimento de uma Igreja que afirma a singularidade de Cristo, a singularidade da fé e a imensurável graça de Deus como fundamentos da vida cristã.

Vivemos outros tempos de diálogo, interação e de busca da unidade da família cristã desejada por Cristo. Isto é sinal de conversão de nossas distintas tradições cristãs. Nossas particularidades teológicas e eclesiais não desconhecem o quanto estamos próximos de viver com amor e de forma partilhada em torno das questões que nos unem que são muito mais ricas do que das nossas diferentes visões ao viver a nossa fé.

No nível mundial, como Comunhão Anglicana e Federação Luterana Mundial, temos vivido um enorme avanço na busca da comunhão, inclusive com a inter-comunhão entre nossas igrejas, a exemplo das chamadas igrejas unidas e também nos Estados Unidos e Canadá. Temos orado juntos, celebrado juntos e dado um testemunho conjunto – ao lado de outras igrejas – no campo da incidência pública, do cuidado com a Criação e na busca por uma sociedade mais justa e inclusiva.

No Brasil, nossa IEAB e a IECLB estamos juntos nas instancias ecumênicas e nas ações de defesa da dignidade humana em diversas frentes. Manifestamos nosso sincero desejo de continuar e aprofundar o diálogo entre nossas famílias na busca de uma cada vez maior comunhão de corações e mentes. O sonho de uma inter-comunhão e de partilha no caminho da missão permanece como alvo que deve nutrir nosso diálogo.

Ao meu irmão Presidente Nestor Friedrich envio uma saudação de carinho e, na sua pessoa, saúdo toda a Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil, parabenizando-os pelas celebrações dos 500 da Reforma de Lutero e desejando que a graça mais que suficiente de Deus os anime, fortaleça e gere os frutos de amor, justiça e misericórdia!

Na paz do Cristo que nos redimiu,

Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Diocesano em Santa Maria

CONVITE

sex, 23/09/2016 - 18:12

Arcebispo de Gales declara base bíblica para casamento de pessoas do mesmo sexo

seg, 19/09/2016 - 10:55


Palavra do Presidente, o Arcebispo de Gales, o Reverendíssimo Barry Morgan ao encontro do órgão dirigente na Universidade de Trinity Saint David, Lampeter, em 14 de setembro de 2016

Tenho de confessar que nos últimos 13 anos nunca reli uma palavra presidencial que dei ao órgão dirigente. Fiz bem – alguns de vocês podem estar pensando – uma vez é mais que suficiente para alguém! Antes de escrever esta, no entanto, decidi reler a primeira que escrevi como novo arcebispo e fiquei impressionado ao descobrir que havia falado sobre a autoridade e a interpretação da Escritura, a natureza do anglicanismo, a tomada de decisões na Comunhão Anglicana e o lugar das Resoluções de Lambeth, tudo em uma única mensagem. Ela se assemelhou um pouco ao primeiro sermão de alguém recém-ordenado, no qual a pessoa inclui todas as percepções teológicas que possui.

A razão pela qual eu a reli foi porque quis constatar se havia falado sobre o discernimento da vontade de Deus por intermédio da leitura da Sagrada Escritura, particularmente em relação à sexualidade humana. A discussão que tivemos naquele encontro do Órgão Dirigente foi uma das discussões mais pacíficas, construtivas, equilibradas e regadas a oração que tivemos nele. Não houve nenhum consenso sobre como deveríamos lidar com relacionamentos e casamento de pessoas do mesmo sexo, mas houve uma escuta respeitosa ao que cada pessoa tinha a dizer.

Desde aquele debate, os bispos, como vocês sabem, têm apresentado orações que podem ser feitas com os que têm relações homossexuais e, como seria de se esperar, têm havido críticas por parte daqueles que dizem que excedemos nossa autoridade e ignoramos ordens bíblicas e dos que dizem que ainda não fomos longe o bastante no exercício dessa autoridade. Seja como for, a questão essencial sobre a qual quero tratar nesta tarde é a do lugar da Escritura no discernimento da vontade de Deus. E tentarei não repetir nada do que disse em 2003.

Uma carta resume a visão sustentada por algumas pessoas. Ela começou com um “meu senhor arcebispo”. Você sabe que terá problemas quando cartas começam assim. E continuou, dizendo, “escrevi para expressar minha mais profunda decepção e desilusão com a integridade moral de seu mandato, no que tange à questão dos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. A igreja precisa ser conduzida sobre este assunto pela voz fidedigna da Escritura.”

Essa declaração sugeriu que os bispos haviam ignorado a Bíblia e se deixado influenciar pela cultura liberal de nosso tempo e, portanto, não estavam levando as Sagradas Escrituras a sério. Quero responder que, longe de ignorar a Sagrada Escritura, os bispos deram o passo que deram porque levaram muito a sério o que a Bíblia tem a dizer sobre o discernimento da vontade de Deus.

Não quero limitar o que tenho a dizer sobre o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Há uma questão muito mais abrangente sobre como alguém discerne a vontade de Deus conforme revelada pela Sagrada Escritura de maneira mais abrangente. Primeiro, deixe-me declarar o óbvio. A Bíblia não é um livro e sim uma série de livros e, dentro desses livros, escritos por uma variedade de autores, há muitas perspectivas diferentes, mas também mudanças na perspectiva acerca de tópicos particulares. Os textos bíblicos não são palavras de Deus, ditadas por ele a autores humanos e sim a resposta inspirada à revelação. Tratam-se, no entanto, de uma resposta humana e não podem ser consideradas como idênticas a essa revelação, especialmente considerando-se que algumas partes da Bíblia são incompatíveis com outras.

Deixe-me dar alguns exemplos.

O Segundo Livro de Reis registra o massacre, sob o comando de Jeú, da Casa Real de Acabe, em Jezreel. A matança de toda a família do rei Acabe e da rainha Jezebel e de todos a eles associados é descrita como tendo sido feita por Jeú, a pedido do profeta Eliseu que, por sua vez, é descrito como tendo sido ungido por Deus para realizar esse ato. Em outras palavras, Eliseu e Deus são vistos como apoiadores de uma política de assassinato em massa. Reconheço, é claro, que essa não é a primeira história de assassinato e de massacre no Antigo Testamento, mas escrevendo bem mais tarde sobre esse incidente, o profeta Oseias (cap. 1:4) diz que Jeú se comportou de maneira cruel e deveria ser punido pelo que fez.

Em outras palavras, houve uma mudança na perspectiva, dentro da própria Escritura, sobre o mesmo incidente. +Rowan, escrevendo sobre esse incidente diz, “Oseias teria dito “tenho certeza que meu predecessor profético Eliseu estava certo de estar fazendo a vontade de Deus e que  a tirania e a idolatria da Casa real de Acabe era um escândalo que precisava ser suprimido. Mas foi correto Jeú assassiná-los daquela maneira?” E +Rowan continua, dizendo que a observação de Oseias foi um momento marcante na redação do Antigo Testamento – um reconhecimento de que era possível crescer no entendimento da vontade de Deus e repensar o passado.

Algo no mundo de Oseias, um profeta que escreve de modo tão comovente sobre o amor irresistível de Deus pelo Seu povo, havia aberto o seu coração para um novo entendimento de Deus como um ser que não aprovaria um assassinato em massa. Jesus leva o assunto mais adiante quando diz, “vocês ouviram o que foi dito, olho por olho, dente por dente. Mas eu lhes digo, não resistam ao malfeitor. Se alguém lhes atingir numa face, ofereçam a outra. Perdoem seus inimigos. Façam o bem aos que lhes odeiam.”

Oseias  e Jesus, portanto, falam sobre Deus e o veem de uma maneira totalmente diferente da de outros livros no Antigo Testamento, demonstrando que o endosso de Eliseu ao massacre perpetrado por Jeú não deveria ser a última palavra sobre esse assunto. Assim, se nos perguntassem que ponto de vista achamos que refletem a vontade de Deus, o que responderíamos?

Vamos observar outro exemplo, desta vez no livro de Deuteronômio. Em Deuteronômio 23, 2-3 nós lemos: “Quem nasceu de união ilícita não poderá entrar na assembleia do Senhor, como também os seus descendentes, até a décima geração. Nenhum amonita ou moabita ou qualquer dos seus descendentes, até a décima geração, poderá entrar na assembleia do Senhor.”

O que Deuteronômio está dizendo é que todos os que foram  nascidos de uniões ilícitas ou incestuosas ou que foram descendentes dos moabitas ou dos amonitas deveriam ser perpetuamente banidos da adoração, uma vez que não eram considerados como aceitáveis para Deus.

Mas há ao menos duas histórias de incesto no Antigo Testamento que ignoram essas proibições. A primeira, de Ló com suas filhas, uniões que geraram os amonitas e moabitas, e o incesto de Judá com sua nora, Tamar. As filhas de Ló e Tamar dão à luz filhos que formam parte da árvore genealógica de Davi e de Jesus. Rute, a moabita, é uma ancestral de Davi. Se ela e seus descendentes, os filhos das filhas de Ló e o filho de Tamar estão banidos da comunidade adoradora, como explicar o rei Davi?

Deuteronômio então passa uma sentença de exclusão perpétua de moabitas e dos nascidos de incesto da comunidade adoradora, mas essas pessoas são ancestrais de Davi e de Jesus. A lei em Deuteronômio nos diz, mas as histórias do Antigo Testamento nos dizem algo completamente diferente.

Davi é descendente de dois incestos, tem sangue moabita em suas veias e, no entanto, é o rei de Israel e a voz da oração de Israel a Deus. No Evangelho de Mateus, Tamar e Rute são mencionadas na linhagem do Messias, sem nenhuma alusão a que o incesto e o sangue moabita devessem excluir Jesus de participar da comunidade adoradora, muito menos de ser o Messias. Em outras palavras, a própria Escritura apoia a inclusão radical daqueles que outros textos bíblicos identificaram como sendo uma abominação.

Quando no livro de Atos Pedro começa a se associar com os gentios e os batiza, está desobedecendo diretamente a uma proibição bíblica em Levítico de ter qualquer contato com pessoas de outras raças porque elas são impuras. O Código de Santidade de Levítico é posto de lado em favor da crença em um Deus que aceita pessoas impuras.

Deixe-me dar outro exemplo que mencionei antes. Deuteronômio 23, 2-3 diz: “Qualquer que tenha os testículos esmagados ou tenha amputado o membro viril, não poderá entrar na assembleia do Senhor”.

Mas em Isaías 56, 4-5 o profeta diz: “Aos eunucos que guardarem os meus sábados, que escolherem o que me agrada e se apegarem à minha aliança, a eles darei, dentro de meu templo e dos seus muros, um memorial e um nome melhor do que filhos e filhas, um nome eterno, que não será eliminado”.

Finalmente, no livro de Atos 8, 38, há a história do apóstolo Filipe, que batiza um eunuco etíope.

Deuteronômio diz que eunucos são uma abominação para Deus e não são bem-vindos à comunidade adoradora por causa de sua ambivalência sexual e de sua reputação de terem sexo passivo com outros homens. O profeta Isaías discorda e diz que eles serão ainda mais aceitos e abençoados por Deus que os judeus, o povo escolhido de Deus. E tudo isso se cumpre no livro de Atos, quando Filipe batiza um eunuco etíope que havia estado em Jerusalém, no Monte Sião, para adorar. O eunuco, uma figura a ser expulsa conforme Deuteronômio, agora se torna aceitável, tanto para o judaísmo quanto para a igreja cristã emergente.

Estrangeiros eram odiados pelos judeus e os sexualmente fora dos padrões ainda mais, porque não geravam filhos. No entanto, um eunuco etíope é aceito por Filipe e valorizado como ser humano com plenos direitos, sem que sua raça ou sexualidade deponham contra ele. Isaías coloca de lado as proibições de Deuteronômio com suas leis de pureza e de santidade e o Novo Testamento dá um passo adiante e está disposto, na pessoa de Filipe, a oferecer batismo a um eunuco.

O que tudo isso demonstra é que dentro das Escrituras há mudanças radicais de entendimento sobre o que significa discernir a vontade de Deus. Não vai funcionar citar textos de partes da Bíblia de maneira simplista sem referência a seus contextos. A Bíblia deve ser tratada como um todo e discernida, frequentemente através de histórias, quanto à direção que está tomando. Em outras palavras, a Sagrada Escritura contém não apenas ordens éticas mas histórias e histórias comunicam verdade sobre o entendimento das pessoas acerca de Deus. Afinal, Jesus passou boa parte de sua vida contando histórias para fazer as pessoas entenderem a natureza e o caráter de Deus.

George Herbert, escrevendo sobre as Escrituras em um de seus poemas, diz:

Ah, que eu pudesse saber como combinam todas as tuas luzes,

E todas as configurações da glória delas!

Ver não apenas como cada verso brilha,

Mas todas as constelações da história.”

Todas as constelações da história têm de ser levadas em consideração. Todos os exemplos que dei demonstram que não há nenhum entendimento consolidado sobre o que a Bíblia diz em relação a vários assuntos e que lê-la como um todo pode alterar a perspectiva total do leitor.

Deixe-me dar outro exemplo que é ainda mais surpreendente. A Bíblia tem muito a dizer sobre escravidão. Abraão teve escravos e, de acordo com Gênesis 24, 35, Deus o abençoou dando-lhe escravos e escravas. Josué, Davi e Salomão tornaram prisioneiros de guerra em escravos sob ordem divina. O Decálogo acha natural que pessoas tenham escravos e os profetas falam sobre a necessidade de que sejam tratados com justiça. Não há nada no Antigo Testamento que indique que a escravidão fosse de algum modo imoral, ou devesse ser abolida. Nem Jesus condena a escravidão e fala sobre escravos em suas parábolas como se fossem um fenômeno totalmente natural. Paulo recomenda que os escravos obedeçam a seus senhores.

Há, portanto, uma base bíblica avassaladora para a escravidão. Sim, senhores são exortados a tratá-los com justiça, mas enquanto instituição, ela é considerada algo bom. Aliás, durante a Guerra Civil Americana, alguns cristãos expuseram argumentos baseados em textos bíblicos para terem escravos.

Por que então a escravidão foi abolida tendo base bíblica tão avassaladora? Por que? Porque se você ler as Escrituras em sua totalidade, ela se opõe à opressão, à dominação e ao abuso. “Eu vim”, diz o Jesus do evangelho de Lucas “para proclamar liberdade aos presos, e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos”.

Assim, a despeito de todas as passagens em favor da escravidão, quando você examina as Escrituras como um todo e o ministério de Jesus em particular, percebe que eles dizem respeito à liberdade de tudo que diminui e desumaniza as pessoas. Nenhum cristão hoje, espero, argumentaria que a escravidão é boa, mas por dezenove séculos a igreja a aceitou e a defendeu. Deus, através de seu Santo Espírito, nos tem guiado à verdade hoje para vermos as coisas de um modo totalmente diferente e ficamos, com justiça, horrorizados quando lemos de pessoas que foram mantidas cativas por outras.

Tudo isso para dizer que ninguém pode argumentar que haja um modo tradicionalmente aceito de interpretar a Escritura que seja verdadeiro e ortodoxo e tudo o mais seja revisionismo moderno, culturalmente condicionado. A própria Escritura é diversa e visões teológicas de alguns livros bíblicos são reformuladas por outros autores à luz da experiência.

Como o Jesus do evangelho de João diz, “Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora. Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir”. João 16, 12-13

Ou, para citar o Papa Francisco no Sínodo dos Bispos no ano passado: “a tentação é à inflexibilidade hostil, de se fechar dentro da palavra escrita (a carta) e não se permitir ser surpreendido por Deus, o Deus das surpresas, o Espírito”.

Assim, considerar a Bíblia como um todo e levar o que ela diz muito a sério pode nos conduzir a uma visão diferente dos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo que aquela sustentada pela igreja. Não quero aqui me deter em detalhe a textos que pretensamente lidam com este tópico – de todo modo, não há muitos deles. Tudo o que eu diria é que à medida que você os examina, eles não dizem respeito a relacionamentos monogâmicos compromissados, amorosos e estáveis com pessoas do mesmo sexo, mas a algo totalmente diferente.

As histórias de Sodoma e Gomorra, por exemplo, associadas a homossexualidade e que deram origem à palavra pejorativa “sodomita” dizem, na verdade, respeito a um abuso de hospitalidade e àquilo que o autor chama de “uma tentativa de estrupo coletivo feita por uma turba contra dois forasteiros que são hóspedes de Ló”. De fato, Ezequiel diz que os parentes de Ló foram punidos primariamente porque recusaram-se a ajudar aos pobres e necessitados.

Também no Novo Testamento, algumas das passagens frequentemente citadas não estão relacionadas a relacionamentos compromissados e estáveis entre pessoas do mesmo sexo, mas a pederastia e a prostituição masculina. Mas tudo isso à parte e uma vez que cada uma das passagens pretensamente sobre homossexualidade pode ser interpretada de mais de uma maneira, chegamos à questão fundamental quanto a se, tomando-se a Bíblia como um todo, poderemos chegar às mesmas conclusões sobre relacionamentos compromissados, estáveis e amorosos entre pessoas do mesmo sexo como às que chegamos acerca da escravidão.

Portanto, não estamos abandonando a Bíblia, mas tentando interpretá-la de um modo que seja consistente com o ímpeto principal do ministério de Jesus, que saía do seu caminho para ministrar aos que eram excluídos, marginalizados e abandonados por sua sociedade porque eram considerados impuros e profanos pelos líderes religiosos de seu tempo, seja por causa de seu gênero, sua idade, moralidade ou sexualidade. Levar a Sagrada Escritura a sério significa prestar atenção ao ministério inclusivo de Jesus.

E tudo isso sem considerarmos o que agora sabemos sobre atração por pessoas do mesmo sexo em termos psicológicos e biológicos. E certamente, se Deus é o criador, ele se revela a nós através de novos conhecimentos e percepções para que, por exemplo, não mais acreditemos que o mundo foi criado em seis dias. Como tentei demonstrar, na Bíblia há muitas perspectivas totalmente diferentes sobre o mesmo assunto. A responsável por essa mudança foi  uma expansão do entendimento sobre o assunto em questão.

Assim, para gerações passadas, a prática homossexual era vista como uma falha moral porque as pessoas não tinham nenhum entendimento sobre sexualidade humana e sobre como os seres humanos são formados biológica, psicológica e socialmente. Para elas, tratava-se de um transtorno. Nós agora sabemos que a orientação sexual não é uma questão de escolha pessoal, mas de como as pessoas são e isso deveria fazer uma enorme diferença no modo como vemos as coisas.

Andrew Davison, que editou o maravilhoso livro intitulado “Amazing Love (Maravilhoso Amor)” tem esta passagem nele:

Somos mais verdadeiros quando vivemos para os outros e ganhamos vida não nos agarrando a ela, mas entregando-a. Viver para os outros salienta o mais verdadeiro sentido de sexualidade. Os cristãos têm descoberto que a maioria das pessoas floresce melhor quando esse viver para os outros encontra seu foco em um compromisso com uma outra pessoa: quando um casal faz um compromisso para toda a vida, dentro do qual o sexo faz parte, de modo apropriado”.

Aqueles dentre nós que foram ou são casados têm constatado que esse é o caso. Por que queremos negar essa possibilidade para os que sentem atração por alguém do seu próprio gênero?

Texto Original em inglês: http://www.anglican.ink/article/archbishop-wales-declares-scriptural-support-same-sex-marriage

Serviço de Tradução para o português: Jorge Camargo

Mensagem da Câmara Episcopal da IEAB sobre as Eleições Municipais

qua, 14/09/2016 - 18:10


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Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o injusto domina, o povo geme.

Provérbios 29:2

Após a conclusão de um processo de impedimento de fraca consistência contra a Presidenta da República, o país vive um tenso momento de confronto politico entre forças opostas que buscam retomar, por um lado, um caminho de um Estado voltado para o povo e, por outro, um Estado que amplia certamente privilégios para os mais favorecidos.

Neste contexto conturbado nos encontramos às portas das eleições municipais. Lembremos que a esfera municipal se torna o espaço de disputa para garantir base política mais forte que sustente, seja de um lado, ou de outro, o projeto político para o país que daqui a dois anos será submetido à prova de novo, com as eleições para governos estadual e federal.

Todos nós sabemos que as disputas municipais pouco têm a ver com programas realmente municipais. Em síntese, a disputa municipal reproduz os interesses e projetos construídos na esfera federal. A fragilidade econômica dos municípios é fato incontestável. Não há sustentabilidade fiscal suficiente para a maioria dos municípios gerirem seus programas e cumprirem com suas responsabilidades.

Recomendamos alguns parâmetros para a escolha de pessoas como vereadores(as) e prefeitos(as) a ser considerados pelo povo episcopal anglicano e por todas as pessoas de boa vontade:

•           Valorizar seu voto e entender que ele é instrumento legítimo de construir uma sociedade mais justa e solidária. Além do que é um instrumento valioso do testemunho de nossa fé.

•           Filtrar com sabedoria a relação entre propaganda política e perfil de candidaturas baseado na coerência de vida e de ações dos candidatos na sua relação com o interesse das pessoas mais pobres. À exemplo de Jesus, nosso voto nunca não deve dado a candidaturas que promovam a exclusão das pessoas mais pobres ou de propostas que acabem com políticas de inclusão social.

•           Avaliar se os candidatos apresentam propostas que realmente apontem para um projeto de gestão municipal diretamente ligada ao cotidiano de nossas cidades, com especial atenção aos serviços públicos de saúde, educação, transporte público e todos os que garantam a qualidade de vida à população..

•           Pesquisar o perfil das candidaturas e identificar se têm antecedentes de envolvimento com práticas de corrupção ou má gestão dos recursos públicos, ou se tem assumido posturas discriminatórias nos campos de gênero, raça e inclusão social.

Assim poderemos fazer escolhas mais condizentes para as Câmaras Municipais e para as Prefeituras. Devemos lembrar que as candidaturas devem também ser avaliadas pelos partidos políticos que sustentam e pelas políticas que promovem em nível municipal, estadual e nacional. Certamente não encontraremos candidatos e candidatas perfeitas, mas pessoas de boa vontade, conscientes da natureza e finalidade do serviço público. Precisamos dar atenção a candidatos e candidatas que constroem sua campanha sobre promessas generalizadas e não acompanhadas de fundamentos realistas, que não incluem nas suas propostas a participação popular através dos conselhos municipais, nem formas de orçamento participativo, ou portais de transparência e outros meios de fiscalização, controle e de exercício permanente da cidadania.

É preciso entender que estaremos numa esquina estratégica da vida política nacional. A base política para as eleições de 2018 começa nesta eleição municipal. Quanto mais popular e proativa ela for mais possibilidade de avanço se terá. Do contrario, o desmonte do Estado será irreversível.

As regras dessa eleição possuem um diferencial: o financiamento empresarial de campanhas está proibido e, com isso, teremos uma maior igualdade entre os candidatos e candidatas. Mas de forma alguma isto deve nos levar a baixar a guarda com relação a possibilidade de meios fraudulentos porque ela pode ser sutilmente contornada pelas doações individuais dos mais ricos e até mesmo (como já comprovado) de CPF de pessoas que já morreram.

Finalmente, apelamos para o exercício da cidadania plena como seguidores do movimento de Jesus, discernindo os valores do Reino de Deus, atentos a um projeto que afirme a dignidade humana, a justiça e a Paz para o nosso país.

Revmo. Francisco de Assis da Silva – Bispo Primaz e Bispo da Diocese Sul Ocidental

Revmo. Naudal Alves Gomes – Bispo da Diocese Anglicana de Curitiba

Revmo. Filadelfo Oliveira Neto – Bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

Revmo. Maurício José Araújo de Andrade – Bispo da Diocese Anglicana de Brasília

Revmo. Renato da Cruz Raatz – Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas

Revmo. Saulo Maurício de Barros – Bispo da Diocese Anglicana da Amazônia

Revmo. Humberto Maiztegui Gonçalves – Bispo da Diocese Meridional

Revmo. Flavio Augusto Borges Irala – Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo

Revmo. João Câncio Peixoto Filho – Bispo da Diocese Anglicana do Recife

Revmo. Clóvis Erly Rodrigues – Emérito

Revmo. Almir dos Santos– Emérito

Revmo. Jubal Pereira Neves– Emérito

Revmo. Orlando Santos de Oliveira – Emérito

Revmo. Sebastião Armando Gameleira Soares – Emérito

Revmo. Celso Franco de Oliveira – Emérito

Campanha Primavera para a Vida 2016

seg, 05/09/2016 - 17:08

Quando entrar setembro

E a boa nova andar nos campos….

Amigas e amigos da CESE!

É com muita alegria que fazemos contato para apresentar a Campanha Primavera para a Vida 2016.

Desde o ano 2000 realizamos esta Campanha que já se tornou uma tradição. Durante todos esses anos, os temas abordados expressaram o nosso compromisso de estimular e contribuir com as igrejas em suas reflexões e posicionamentos em favor da afirmação e defesa da Justiça, Paz e Integridade da Criação. Lá se vão 16 anos! E para refrescar a memória, apresentamos os temas já trabalhados:

·       2000 Vamos Juntos Semear Justiça

·       2001 Semear Solidariedade e Paz

·       2002 Pão e Paz

·       2003 Juventude e Paz

·       2004 Cidade de Paz

·      2005  Mulheres e homens construindo cidades de paz

·      2006 Direitos e Justiça para a Paz

·       2007 Direitos e Justiça: uma Ação para Crianças.

·       2008 Direitos e Justiça

·       2009 Cuidar da nossa Casa Comum a Terra

·       2010 Justiça ambiental

·       2011 Justiça ambiental na perspectiva de direitos

·       2012 Direitos humanos, desenvolvimento e Justiça

·       2013 Direitos humanos, desenvolvimento e Justiça

·       2014 O bem que você faz muita gente compartilha

·       2015 Eu respeito a diversidade religiosa. E você?

No lançamento da Campanha do ano passado, realizamos uma Roda de Conversa sobre o tema na própria CESE. Em conjunto com o CEBI lançamos uma publicação abordando a temática. De lá para cá o tema perpassou o Programa de Pequenos Projetos e foram apoiados 14 projetos com esta temática.. E o nosso compromisso com o tema continua, pois as intolerâncias persistem.

Para este ano, o tema escolhido é: Direito à vida da juventude. Por que decidimos trabalhar com este tema? Porque, apesar do Brasil possuir uma lei que reconhece a juventude como protagonista de direitos, o Estatuto da Juventude, a existência dessa legislação não assegurou políticas públicas que contribuíssem para uma transformação significativa da situação vivida pela juventude brasileira, sobretudo, no que diz respeito ao acesso à educação de qualidade, à segurança, ao trabalho, ao lazer e à participação nos processos sociais e políticos. O dado mais gritante e desafiador para toda a sociedade é o elevado índice de violência contra jovens negros, vítimas de extermínio nas periferias urbanas.

Neste momento de tantas dúvidas e questionamentos, uma certeza nos acompanha: é impossível construir um projeto de nação sem o protagonismo das juventudes! Com este compromisso em mente, convidamos a REJU – Rede Ecumênica da Juventude para participar desta Campanha trazendo a reflexão, a voz, as lutas, os enfrentamentos, os sonhos e conquistas das juventudes. Já temos, agora, um rico material que está disponível para a reflexão das igrejas.

Vocês estão recebendo, junto com esta carta, o material com as reflexões feitas pela juventude de diversas matrizes religiosas e também de diversos lugares do país. Informamos que o CEBI- Centro de Estudos Bíblicos, parceiro nesta Campanha, tem este material à venda em forma de livro (no valor de R$ 12,70). É um material excelente para grupos de jovens que pode ser solicitado através da página do CEBI (http://www.cebi.org.br). O material também tem um modelo de liturgia que pode ser usada na sua igreja ou no seu grupo, além de depoimentos escritos e gravados com jovens que tiveram projetos apoiados pela CESE, que podem ser usados como subsídios para a discussão do tema.

Além de pautar um tema, a Campanha da Primavera também tem por objetivo mobilizar recursos para o Fundo de Pequenos Projetos da CESE. Toda a arrecadação  deste ano destina-se a apoiar projetos com a juventude. Somente teremos êxito se tivermos o apoio firme e decidido das Igrejas-membros e dos grupos apoiados pelos projetos. Contamos com você para que inclua a Campanha na programação de sua igreja ou grupo local durante o período da primavera, de 21 de setembro até dezembro.

Além de discutir o tema, faça também uma ação em prol de um projeto: realize uma celebração e envie a coleta para a CESE. Contamos com o seu apoio! Também nos colocamos à disposição para dialogar, compartilhar experiências e esclarecer dúvidas. Nosso endereço para contato é cesecomunica@cese.org.br

Sejamos semeadores e semeadoras de sementes de justiça, paz e solidariedade, a fim de que possamos colher uma sociedade mais justa e fraterna, onde todos e todas tenham acesso aos seus direitos fundamentais. Vamos acolher em nossos corações e compartilhar em nossos espaços de celebração essa Campanha da CESE, e façamos eco a todas as pessoas que já abraçaram a Primavera para a Vida.

A todas as pessoas que contribuíram para a elaboração deste material a nossa gratidão e carinho.

Durante seus 43 anos de existência, a CESE, inspirada no Evangelho de Jesus Cristo, tem apoiado projetos para a defesa de direitos em todo o Brasil. Já são mais de 11 mil projetos apoiados.  Somos gratos/as a Deus pelas muitas bênçãos e alegrias que Ele nos tem proporcionado, permitindo que, graças às muitas parcerias que temos, continuemos apoiando projetos que transformam vidas e que estão comprometidos com a defesa de direitos.

Na certeza de que podemos contar com seu importante apoio e solidariedade, despedimo-nos desejando muitas alegrias e bênçãos –  e uma bela primavera!


Pe. Marcus Barbosa - Presidente/ Sônia Gomes Mota – Diretora Executiva

O QUECampanha Primavera para a Vida, promovida pela CESE

QUANDO: Durante toda a primavera

VALOR: Qualquer valor é bem-vindo

DEPOSITE: Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CNPJ: 13.589.270/0001-21

Banco do Brasil
Agência: 3459-2
Conta: 19.756-4

Bradesco
Agência: 0592-4
Conta: 42.144-8

SE PREFERIR, DOE DE FORMA RECORRENTE POR MEIO DO SEU CARTÃO DE CRÉDITO: https://www.cese.org.br/ajudeagora/




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Subsídios para a reflexão -Direito à Vida da Juventude

Depoimentos – Juventude

CARTAZ PPV_2016_DIREITO A VIDA DE JUVENTUDE

Liturgia final.docx

MANIFESTO DOS BISPOS DA IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL

ter, 23/08/2016 - 11:38

Á fidelidade e a verdade encontraram-se,a justiça e a paz se beijaram. A verdade brotará da terra, e a justiça se inclinará lá dos céus ”. Sl. 85. 11, 12.

Nós Bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, manifestamos nossa indignação diante da arbitrariedade cometida na prisão do Professor Jaider Batista da Silva, acusado, sem provas, por corrupção e mantido incomunicável; a ele, membro em plena comunhão da nossa igreja, e a sua família, nosso total apoio.

Durante a operação de investigação levada adiante pela Polícia Federal, em Governador Valadares, nosso irmão Jaider tem contribuído fornecendo documentos e comparecendo às audiências, prestando todas as informações que comprovam sua inocência e sempre cooperando para a elucidação dos fatos.

No entanto, Jaider está sendo vítima de uma delação premiada realizada por um réu confesso que, no intuito de beneficiar-se, envolveu o seu nome, mesmo sem haver qualquer indício de sua participação nos fatos.

Sua prisão, no último dia 10 de agosto, fere todos os princípios éticos e morais, tendo em vista sua cooperação com as investigações e a presunção de inocência de um cidadão que sempre esteve comprometido com a vida, com a justiça, com na luta pelos direitos humanos, atendendo e solidarizando-se com as pessoas excluídas e empobrecidas, e também com a causa das crianças e adolescentes, além da luta solidária junto aos povos indígenas. Assim, em sua caminhada, sempre demonstrou ética e transparência em suas ações.

Como cristãos, somos veementemente contra todas as formas de corrupção e entendemos que o que está acontecendo com Jaider Batista não passa de uma ação insana e totalmente descabida. Preocupa-nos sobremaneira, que as ações de combate a corrupção sejam usadas para o abuso do poder policial e judicial, em especial contra pessoas que defendem os direitos humanos, a justiça, a paz e igualdade, dando a estas medidas um caráter repressivo e ideológico que não corresponde ao convívio social e político dentro de um ordenamento democrático. É inadmissível que os recursos e políticas públicas sejam utilizados para atender e beneficiar uma classe  e alguns setores políticos e seus representantes, que lucram, e sempre lucraram, com a miséria de um povo sofrido.

Portanto, exigimos a soltura imediata de Jaider Batista, que a justiça seja feita e que os verdadeiros responsáveis sejam identificados e punidos.

Revmo. Francisco de Assis da Silva – Bispo Primaz e Bispo da Diocese Sul Ocidental;

Revmo. Naudal Alves Gomes – Bispo da Diocese Anglicana do Paraná;

Revmo. Filadelfo Oliveira Neto – Bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro;

Revmo. Maurício José Araújo de Andrade – Bispo da Diocese Anglicana de Brasília;

Revmo. Renato da Cruz Raatz – Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas;

Revmo. Saulo Maurício de Barros – Bispo da Diocese da Amazônia;

Revmo. Humberto Maiztegui Gonçalves – Bispo da Diocese Meridional

Revmo. Revmo. Flavio Augusto Borges Irala – Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo;

Revmo. João Câncio Peixoto Filho – Bispo da Dicoese Anglicana do Recife;

Revmo. Clóvis Erly Rodrigues – Emérito;

Revmo. Almir dos Santos– Emérito

Revmo. Juba Pereira Neves– Emérito

Revmo. Orlando Santos de Oliveira – Emérito

Revmo. Sebastião Armando Gameleira Soares – Emérito

Revmo. Celso Franco de Oliveira – Emérito

Nota Falecimento Elizabeth Sherrill

seg, 15/08/2016 - 17:57

Elisabeth Sherrill

“Eu sei que o meu Redentor vive e que ao final, se levantará sobre a terra. Depois ele me ressuscitará e eu verei a Deus. Sim, eu o verei, os meus próprios olhos contemplarão a um amigo e não a um estranho” Jó 19.23-27

Comunicamos que hoje dona Elisabeth Sherrill realizou sua Páscoa. Ela era a dedicada companheira de nosso saudoso bispo Edmund Sherrill e o acompanhou fielmente durante seu ministério entre nós. Para a IEAB, este é um momento para elevar ações de graças a Deus por sua vida e seu humilde e sábio serviço no meio de nós.  O Bispo Primaz Dom Francisco de Assis da Silva transmitiu seu pesar pelo passamento de Dona Elizabeth e igualmente seus sentimentos  a todos os enlutados especialmente aos familiares.

Que ela repouse no seio caloroso de nosso Deus Pai e Mãe. Que seus exemplos fiquem guardados em nossa memória e que a certeza da ressureição se transforme em consolo e fortaleza para seus familiares!