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O carro é nosso Deus! No principio, era a Avenida São João. Nela passavam todos os anos, os desfiles carnavalescos. O comércio era movimentado e os prédios tinham bons apartamentos. A larga avenida era muito utilizada para passeios. Nela havia vida. Chegou, depois, o Minhocão, porta bandeira do Deus carro. A integridade urbana dessa área foi sacrificada para cultuar o senhor carro, em nome de uma maior fluidez do trânsito.O capital impôs a sua lógica.
A cada mês, cerca de cinco mil veículos novos e usados passam a circular nas ruas paulistanas. O traçado urbano é permanentemente modificado para que ainda mais carros sejam incorporados ao sistema viário. Afirma um estudo da USP que, em 2012, o sistema de transporte de São Paulo entrará em um processo de saturação. Outra pesquisa, da faculdade de saúde pública da USP, recentemente publicada, indica que os paulistanos, tem mais medo da poluição do que do câncer e do HIV/AIDS. O carro é um dos principais veiculadores dos poluentes.
O carro é, sem dúvida, um indispensável instrumento de trabalho. Mas, sobre o seu uso, pesa uma hipoteca social. Adorá-lo, acima de tudo, é uma idolatria, ou seja, mais um dos escândalos urbanos.
Dermi Azevedo é jornalista, cientísta político, articulador da Desmond Tutu e membro da Paróquia da Santíssima Trindade.
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