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Um grande negócio

Um grande negócio

Fundar igrejas tornou-se um ótimo negócio. Os fundadores conseguem acumular, em pouco tempo, um bom pé de meia. Os crentes doam à “igreja” o que podem e, muitas vezes, o pouco que têm para a sua subsistência. Os nomes são exóticos: igreja de Jesus Cristo surfista, igreja do Tiatira (nome retirado do Apocalipse 2:18). Alguns dos seus integrantes a chamam “igreja do Tira-Tira, Igreja da Prosperidade...

O processo legal para fundar uma igreja é muito simples: basta preencher alguns formulários no cartório e tudo bem. Do mesmo modo, não é difícil escolher um pastor. Não há necessidade de nenhuma formação acadêmica. Os antecedentes não interessam. Basta saber o mínimo de leitura e se dispor a “evangelizar”... e saber persuadir os fiéis a fazer tudo o que a igreja exige. Tudo em nome de Jesus.

O caldo de cultura é a exclusão social, econômica, política e cultural da maioria empobrecida. A crise econômica e a frustração cotidiana diante da possibilidade do empobrecimento levam também amplos setores da classe média à busca cotidiana de milagres que consigam resolver – de forma mágica – os efeitos desse processo.

As próprias igrejas históricas têm responsabilidade diante desse problema e, muitas vezes abrem espaços para que essas teologias alienantes possam ganhar terreno.

Em um terreno fértil como esse, qualquer palavra que prometa uma vida menos Severina, a conquista da felicidade material, a cura das doenças, um mínimo de luz no fim do túnel, ganha imediatamente seguidores. “O povo sofre muito”, diz dona Lourdes Esvael, com a experiência dos seus 80 anos. “E ninguém escuta o clamor desse povo”, completa.

Muitas dessas igrejas são fundadas justamente no período eleitoral. A abertura da temporada de caça aos apoios, por parte dos candidatos, representa mais um negócio lucrativo. Um verdadeiro leilão, em que receberá mais apoio da “igreja” o político que fizer a melhor oferta...

Mas a exploração da fé do povo não acontece apenas no Brasil. Já está globalizada. A Igreja Universal e a Renascer, por exemplo, tornaram-se empresas transnacionais. Quando desmoronou a União Soviética, os primeiros investimentos externos na Rússia foram destinados à expansão de grupos religiosos sectários e fundamentalistas. Enfrentam, desde então, uma forte resistência por parte da Igreja Ortodoxa.  

O Evangelho é transformado em peça de marketing. Os pastores exercitam técnicas de persuasão de massa. Tudo se transforma em dinheiro, inclusive o Pai, o Filho e o Espírito Santo.  

Dermi Azevedo é jornalista, cientísta político, articulador da Desmond Tutu e membro da Paróquia da Santíssima Trindade.