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Atores e pastores
Um breve exercício de observação do dia-a-dia das igrejas permite-nos observar a atuação de dois tipos de presbíteros/párocos: os párocos atores e os párocos pastores. O que caracterizaria cada um deles?
Pároco-ator
O pároco-ator preocupa-se muito com a aparência do templo, com a quantidade dos fiéis que freqüentam os cultos dominicais e de maneira particular, gostam dos flashes da televisão e de se tornarem manchetes nos jornais e revistas. Parecem, guardadas todas as proporções, com sacerdotes do tempo de Cristo: eles davam prioridade ao cumprimento literal das leis religiosas e aos aspectos formais de sua crença. Primavam pela prioridade da manutenção da “ordem” e eram indiferentes à situação dos mais humildes e dos excluídos. Pelo contrário, eles preferem a companhia dos ricos e dos poderosos os quais por sua vez, garantem polpudas contribuições à igreja e asseguram para esta instituição, uma grande visibilidade. Esse modelo de pároco está na moda nos dias de hoje. Os párocos-atores fazem muito sucesso, numa sociedade que valoriza as aparências e em que tudo se transforma em mercadoria, em objeto de consumo. São muito requisitados para celebrações da média e da alta burguesia.
Pároco-pastor
Já o pároco-pastor tem consciência de sua escolha pelo povo de Deus. Sua opção pastoral parte sempre do lugar social dos oprimidos. Sabe que esse é o caminho escolhido por Jesus. Não despreza nem Zaqueu, nem o Centurião Romano (Lc. 19:1 – 2; Mt. 8:5). Mas dá prioridade ao contato misericordioso e amoroso com Maria Madalena, com a Samaritana; com os leprosos e com todas as pessoas marginalizadas e discriminadas daquela época e de hoje.
O pastor não conduz as ovelhas. Aponta-lhes o caminho a ser percorrido, para que, de forma autônoma, façam a sua própria escolha. Não se deixa fascinar pelas ofertas do diabo (palavra que indica todo aquele e tudo aquilo que divide as pessoas e a comunidade). Jovem ou idoso, sabe que tudo passa e que as glórias deste mundo são efêmeras. Ele se fortalece na comunidade e a comunidade constrói e reconstrói permanentemente, o seu perfil. De tal modo, ele se torna o símbolo da identidade e da unidade comunitária, que - mesmo ao preservar a sua própria autonomia – torna-se sempre mais um servidor de todos, de todas e de cada um/cada uma. Sabe que a sua missão é a de servir e não a de ser servido (Mt. 20:28.)
A sua pregação não interessa à grande mídia, nem a sua fotografia nem as suas atividades paroquiais. Ele se esforça, todo dia, toda hora, para transformar a sua paróquia num espaço que possa simbolizar um “novo céu” e uma “nova terra”.
Onde cabe o pastor, cabem as ovelhas. Onde não cabe o pastor, não cabem as ovelhas. Onde cabe o ator, não cabem as ovelhas. Elas são apenas um detalhe. São meras espectadoras. Quaisquer que sejam os seus nomes, eles e elas implementam, no cotidiano eclesial, o modelo de pastor apresentado no salmo do Salmo 23.
*Dermi Azevedo é jornalista, cientísta político, articulador da Desmond Tutu e membro da Paróquia da Santíssima Trindade.
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