Clic on "Select language" and choose the language in which you want this page to be automatic translated by Google.
Isto é uma vergonha, Boris Casoy!
Dermi Azevedo*
É uma verdadeira vergonha, Boris Casoy, a afirmação que você fez no jornal da Band no primeiro dia de 2010, ao criticar os votos de feliz ano novo anunciados por humildes garis. Você agiu como agiria um militante fascista ou hitlerista diante de não arianos. Colocou os trabalhadores que limpam as ruas no ultimo patamar da escala social. Desse modo, você foi um fiel executor da ideologia elitista e excludente e concentradora de rendas, seguida por um por cento da população brasileira que detém 50% da renda nacional.
Numa visão estritamente política e sociológica, as suas frases traduziram mais uma vez o preconceito das classes dominantes sobre os mais pobres. Essa atitude implica em considerar os pobres como um detrito condenado a ser jogado fora . E a “viver à míngua”, expulsos de um lugar para outro, como pedra de tropeço. “nenhum grupo luta contra seus próprios interesses” constata o pensamento sociológico de Émile Durkheim. A observação atenta dos fatos sociais aponta para confirmação desse axioma. Os pobres não entram no universo dos ricos a não ser como empregados domésticos ou condutores de cachorros nas rua mais ricas da cidade. O pobre também na visão de Boris Casoy não tem direito de pronunciar os seu votos de boas festas e feliz ano novo. Só lhes cabe enfrentar o lixo nas madrugadas quentes ou frias em troca de um salário insuficiente para sustentar suas famílias e da aquisição de doenças na manipulação dos detritos.
Se formos pensar, do ponto de vista religioso, na frase do Boris na TV Bandeirantes, a avaliação que se faz é a mais crítica possível. Possivelmente, você aprendeu com a sua digna mãe, que o Deus de Abraão de Isaac e de Jacó é um senhor que criou os homens e as mulheres à sua imagem e semelhança; para o qual, não há diferenças entre judeus e gregos, entre nacionais e estrangeiros, pois a nossa missão é a de construirmos um mundo mais igualitário, menos injusto e mais fraterno. Além disse, Boris, você sabe que o seu povo foi perseguido e difamado torturado e morto pelo nazi fascismo, nos campos de concentração e que esse fato histórico precisa ser muito relem,brado para que nunca mais se repita.
Diante da ética do jornalismo, você errou de forma grave ao escolher os garis para como alvos de sua ideologia discriminatória e preconceituosa. Você sabe muito bem que o código de ética dos jornalistas proíbe esse tipo de atitude. Você que é muito inteligente e comenta no rádio e na televisão todos os assuntos em pauta no mundo, deveria pensar mais na sua responsabilidade como formador de opinião.
Click no link abaixo para assistir ao vídeo no You Tube:
Depois dessa vergonhosa frase você pediu secamente desculpas, mas já era tarde, os garis já tinham ido embora com sua vassouras, ou seja, com seu instrumentos de trabalho digno.
Você que já escreveu e falou tanto contra o racismo, entrou em profunda contradição consigo mesmo ao reeditar atitudes de todos os tipos de fanáticos.
Você envergonhou, não os garis, mas o conjunto da sociedade brasileira. Só ficaram ao seu lado aquelas pessoas para as quais a desigualdade social não representa problemas e que consideram “normal” que um ser humo viva como escravo.
Por mais desculpas que você peça, os garis (e todos nós, que cultivamos um pouco de decência na vida social), estamos indignados. No entanto acreditamos que a sua frase produziu dois efeitos positivos: os seus telespectadores concluíram que você agiu de forma vergonhosa e os garis começaram a ganhar uma maior consciência de classe. Os trabalhadores que você discriminou são como aquelas famílias hebraicas que atravessaram os desertos conduzidos por Moisés para alcançar a terra prometida. Em vez de chamá-los de merda, você poderia ter feito elogios à disposição desses homens e dessas mulheres que dia e noite tornam a cidade menos suja. “Os últimos” serão os primeiros e os primeiros serão os últimos no julgamento final.
Em tempo: os garis têm todo o direito de enviar seus votos de um 2010 menos racista e mais fraterno. Repito: são eles e elas Boris, que todos os dias recolhem o lixo das famílias ricas e das famílias pobres.
* Dermi Azevedo é jornalista, cientísta político, articulador da Desmond Tutu e membro da Paróquia da Santíssima Trindade.
Este sítio foi construído com
por Marc Storms da Infofluxo.
